Apenas uma pessoa foi aprovada para um visto “Gold Card” de Trump, disse o secretário de Comércio, Howard Lutnick, aos legisladores na quinta-feira (23) sobre o programa de residência mediante pagamento de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões na cotação atual), apesar de ter afirmado anteriormente que o governo já havia vendido mais de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões).
Principais fatos
Lutnick afirmou que o Departamento de Segurança Interna aprovou recentemente uma pessoa, e há centenas na fila, disse ele ao Comitê de Apropriações da Câmara ao prestar depoimento sobre o pedido de orçamento de sua agência para o ano fiscal de 2027.
Lutnick disse em dezembro que a administração havia vendido US$ 1,3 bilhão (R$ 6,5 bilhões) em vistos Gold Card em apenas alguns dias durante uma coletiva de imprensa ao lado de Trump para promover os cartões.
Lutnick sugeriu na quinta-feira que há um atraso porque o programa é novo, dizendo aos legisladores que o processo foi recentemente resolvido com o Departamento de Segurança Interna, que administra o programa, e realiza a análise e verificação mais rigorosas de qualquer candidato potencial na história do governo.
A administração Trump começou a aceitar inscrições em dezembro para o programa, que exige que os candidatos paguem uma taxa de inscrição de US$ 15.000 (R$ 75 mil) e façam uma doação de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) ao Departamento de Comércio em troca de um caminho acelerado para o status legal de residente nos Estados Unidos.
Empregadores também podem patrocinar um ou mais funcionários por meio do programa “Trump Corporate Gold Card”, que exige a taxa de processamento de US$ 15.000 (R$ 75 mil) e uma doação de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões), além de taxas anuais de manutenção e transferência.
O que não sabemos
O beneficiário do Gold Card. Jeffrey Chao, fundador chinês da empresa de tecnologia de cabeamento ethernet TP-Link Systems Inc., sediada na Califórnia, solicitou participação no programa, informou a Bloomberg em março, citando fontes não identificadas. O Departamento de Comércio está investigando a empresa por preocupações de segurança nacional relacionadas aos seus vínculos com a China, segundo a Bloomberg. Um porta-voz da TP-Link disse que Chao vive em Irvine, Califórnia, e está buscando residência permanente nos Estados Unidos, mas não informou se ele solicitou o programa Gold Card.
Contexto do programa
O programa Trump Gold Card, criado por ordem executiva em setembro, concede vistos EB-1 ou EB-2 aos candidatos aprovados. Os EB-1 são destinados a imigrantes com habilidade extraordinária e os EB-2 àqueles com habilidade excepcional, de acordo com a lei, e são limitados anualmente a uma certa porcentagem de todos os vistos.
O programa enfrenta várias ações judiciais. Um grupo de imigrantes processou a administração Trump em fevereiro, pedindo a um juiz que bloqueie o programa e argumentando que ele prioriza riqueza em vez de intelecto ou habilidade, informou o The New York Times.
Um grupo de organizações de fiscalização do governo também entrou com ação neste mês para forçar o governo a divulgar registros relacionados ao programa, acusando o governo federal de tratar os vistos como associações de um milhão de dólares do Mar-a-Lago, disse Kevin Bell, cofundador do Free Information Group, que está entre os autores da ação, em um comunicado à imprensa.
Reportagem publicada originalmente em forbes.com