Os principais índices de ações da Europa fecharam em queda nesta sexta-feira (15) e também no acumulado da semana, com investidores cautelosos diante do impasse diplomático no Oriente Médio e da pressão de um avanço expressivo nos rendimentos dos títulos públicos. No Reino Unido, a turbulência política aumenta a pressão para que o primeiro-ministro Keir Starmer renuncie e também contribuiu para pressionar o mercado de ações.
No fechamento, o índice pan-europeu Stoxx 600 anotou queda de 1,60%, aos 606,20 pontos, o FTSE 100, da Bolsa de Londres, caiu 1,71%, aos 10.195,37 pontos, o DAX, de Frankfurt, recuou 2,05%, aos 23.955,19 pontos, e o CAC 40, de Paris, cedeu 1,60%, aos 7.952,55 pontos. No acumulado da semana, as bolsas tiveram perdas de 0,85%, 1,71%, 1,58% e 1,97%, respectivamente.
Os rendimentos dos títulos públicos europeus apresentam forte alta na manhã desta sexta-feira, na sequência de dados mais fortes de inflação dos Estados Unidos e de países da Europa publicados ao longo desta semana, que começaram a refletir o efeito dos preços mais elevados de energia, por conta do conflito no Oriente Médio.
Enquanto segue o impasse diplomático, o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que “não confia” nos Estados Unidos e só tem interesse em negociar com a Casa Branca se os americanos estiverem “falando sério”, enquanto as conversas seguem suspensas. Os preços do petróleo apresentam forte alta, hoje, sendo negociados acima do nível de US$ 100 por barril.
No Reino Unido, os rendimentos dos Gilts, os títulos públicos britânicos, disparam para seus maiores valores em mais de 10 anos, com investidores cautelosos diante das turbulências na política local e preocupados com o cenário fiscal. O prefeito de Manchester, Andy Burnham, disse que pretende disputar uma vaga no Parlamento, desafiando a liderança do atual primeiro-ministro, Keir Starmer, em um momento que ele enfrenta forte pressão de seu partido para que renuncie ao cargo.
A preocupação dos investidores gira em torno do equilíbrio fiscal no Reino Unido. Starmer e sua ministra das Finanças, Rachel Reeves, são vistos como mais comprometidos com o equilíbrio fiscal do que seus possíveis substitutos. “O receio do mercado é que Burnham seja mais alinhado à esquerda, o que poderia resultar em um novo aumento dos déficits”, comenta Mohit Kumar, economista-chefe para Europa do Jefferies.