Diversas empresas divulgaram resultados na noite da última quinta-feira (15), levando a reações para as ações. Às 11h45 (horário de Brasília), os papéis da Trisul (TRIS3, R$ 4,29, -6,74%), Viveo (VVEO3, R$ 1,26, -6,67%), Sanepar (SAPR4, R$ 7,50, -4,09%) e Cosan (CSAN3, R$ 4,44, -4,52%) caíam forte.
Na outra ponta, Vittia (VITT3, R$ 3,41, +8,95%), 3Tentos (TTEN3, R$ 17,01, +2,53%) e Light (LIGT3, R$ 4,02, +1,77%) subiam, com destaque para VITT3.
Confira as análises dos resultados abaixo:
Cosan (CSAN3)
Após os resultados do primeiro trimestre, o Goldman Sachs destacou que os investidores da Cosan deve olhar para duas frentes nos próximos meses: a alocação de capital no nível da holding e o processo de desalavancagem do grupo.
A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão ao final do primeiro trimestre de 2026. Em relação ao mesmo período do ano passado, o desempenho melhorou 11%, quando a companhia teve prejuízo de R$ 1,8 bilhão.
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O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, da sigla em inglês) consolidado teve uma melhora de 60% em relação ao primeiro trimestre de 2025, alcançando R$ 3,1 bilhões. Já em comparação ao trimestre imediatamente anterior, o Ebitda teve uma queda. Ao final do 4T25, a empresa reportou Ebitda de R$ 3,8 bilhões.
O banco mantém recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 5,80 – upside de cerca de 25% sobre o fechamento de R$ 4,65.
A visão é de que o Ebitda cresceu, mas a dívida da holding ainda pesa. No primeiro trimestre de 2026, o Ebitda ajustado sob gestão (excluindo Raízen – RAIZ4 – e considerando 100% de participação nos negócios) somou R$ 3,4 bilhões, alta de 3% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado excluindo Raízen foi de R$ 1,75 bilhão, 7% acima de 1T25, mas abaixo das estimativas do próprio Goldman, que projetava R$ 1,85 bilhão.
O ponto de maior atenção, porém, está no topo da estrutura do grupo. Segundo o Goldman, parte do aumento da dívida líquida está ligada a pagamentos pontuais (one-offs) relacionados à quitação antecipada de dívidas e derivativos no início do ano.
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Um alívio relevante deve aparecer somente no 2º trimestre: os recursos do IPO da Compass ainda não estão refletidos nos números do 1T26, mas devem contribuir para reduzir a alavancagem da Cosan na próxima divulgação.
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O objetivo declarado da companhia é zerar a dívida no nível da holding, o que, na visão do Goldman, pode implicar novas vendas de ativos — inclusive em linhas tidas historicamente como estratégicas.
Viveo (VVEO3)
A Viveo registrou prejuízo líquido contábil de R$ 57 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante prejuízo de R$ 59 milhões no mesmo período do ano passado. O resultado financeiro, contudo, seguiu pressionado pelo patamar mais elevado da Selic em relação ao observado em 2025, embora o início do ciclo de queda de juros já represente um alívio para a empresa.
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Na visão do Santander, a Viveo reportou resultados operacionais acima do esperado no 1T26, com expansão de margem reforçando a tese de recuperação. Já a receita líquida ficou abaixo das estimativas, refletindo desempenho mais fraco na maior parte dos segmentos.
Hospitais e clínicas seguiram como principal destaque positivo, com crescimento de receita no trimestre.
A geração de caixa melhorou, com fluxo de caixa livre pós-capex positivo. Contudo, a alavancagem segue elevada, com dívida líquida/Ebitda ajustado em 3,88 vezes, permanecendo como principal ponto de atenção. A Viveo discutirá alterações nas debêntures em assembleia marcada para junho de 2026.
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O BBI tem recomendação neutra por conta do valuation, apontando que o esclarecimento sobre a sustentabilidade da margem bruta do 1T26 será fundamental.
Trisul (TRIS3)
A Trisul registrou lucro líquido de R$ 28,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 34,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida avançou 26,2%, para R$ 343,2 milhões. O lucro bruto ajustado cresceu 8,4%, mas a margem bruta ajustada recuou 5 pontos percentuais, para 30,4%.
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O Bradesco BBI avaliou o resultado como neutro, sem surpresas relevantes frente às expectativas. Apesar do crescimento de receita e vendas líquidas em base anual, a compressão de margens segue como principal ponto de atenção, refletindo pressão de custos e mix ainda desafiador.
O nível de rentabilidade, com ROE (retorno sobre patrimônio líquido) ao redor de 12%, indica uma geração de valor moderada, enquanto a disciplina na alocação de capital —evidenciada pela redução sequencial da alavancagem e uso do caixa para desalavancagem —é um ponto positivo.
Por outro lado, a desaceleração sequencial em lançamentos e vendas, aliada à queda na velocidade de vendas, sugere um ambiente de demanda mais cauteloso no curto prazo.
“Nesse contexto, embora o valuation permaneça descontado (0,7 vez o múltiplo P/VP, ou preço sobre valor patrimonial), entendemos que a combinação de margens pressionadas e dinâmica operacional mais fraca limita catalisadores no curto prazo, sustentando uma visão mais conservadora para o papel”, apontou, mantendo recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10.
Para o BTG Pactual, a Trisul reportou resultados mistos no 1T.” A companhia segue ampliando sua exposição ao segmento de baixa renda em meio a um cenário macroeconômico mais desafiador para incorporadoras de média e alta renda. O trimestre apresentou combinação de resultado operacional mais fraco com geração de caixa mais forte”, aponta.
Sanepar (SAPR4)
A Sanepar apurou lucro líquido de R$ 352,7 milhões no primeiro trimestre, queda de 70,8% em relação ao registrado no mesmo período de 2025. Cabe ressaltar a forte base de comparação: no mesmo período do ano passado, houve reconhecimento extraordinário de receita ligado à vitória em ação de IRPJ e à constituição de provisão para o passivo regulatório. Ajustando esses efeitos não recorrentes, o lucro teria diminuído 16,9% na comparação anual.
Para o BTG Pactual, a Sanepar apresentou resultados abaixo das expectativas no 1T, com receita líquida de R$ 1,95 bilhão, crescimento de 8% anualmente, impulsionada pelo reajuste tarifário de 6% e maiores volumes faturados de água e esgoto.
O Ebitda atingiu R$844 milhões, alta de 3% anualmente, mas abaixo das estimativas devido a custos mais elevados relacionados principalmente a serviços e provisões para contingências.
O lucro líquido somou R$353 milhões, abaixo das projeções, impactado por maior carga tributária efetiva. As despesas operacionais cresceram 11% ano a ano para R$1,10 bilhão, refletindo maiores custos de energia elétrica, ajustes operacionais em tratamento de esgoto e provisões para contingências.
A alavancagem permaneceu baixa em 0,7 vez a relação Dívida Líquida/Ebitda, ainda beneficiada pelo impacto dos créditos fiscais recebidos em setembro de 2025. O aumento das despesas operacionais foi explicado também por maiores gastos com serviços e provisões acima do esperado.
Já a XP projetava Ebitda 5% menor, vendo a superação das estimativas principalmente resultado de receitas ligeiramente maiores (+1% versus a estimativa da XP), combinadas com inadimplência melhor do que esperávamos, que mais do que compensou um pequeno miss em custos caixa ajustados. “Destacamos, porém, que a inadimplência tem sido uma linha volátil nos últimos trimestres, razão pela qual não revisaríamos nossas premissas apenas com base neste dado”, aponta.
Vittia (VITT3)
A Vittia registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 5,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, deterioração de 175,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado ficou negativo em R$ 600 mil, revertendo o resultado positivo de R$ 6,9 milhões registrado no 1T25. A receita líquida caiu 11,5%, para R$ 121,9 milhões.
Para o Itaú BBA, a Vittia reportou números sem grandes novidades para o 1T26, com um Ebitda ajustado negativo de R$ 600 mil, em linha com as suas projeções, embora a sazonalidade fraca normalmente tenha menos impacto nos resultados do ano fiscal de 2026.
“Mais importante, a queda generalizada na receita em todos os segmentos, combinada com a contração das margens, reforça o ambiente ainda desafiador em toda a cadeia de suprimentos agrícolas, com o comportamento cauteloso dos produtores, em meio a uma perspectiva de margens mais fracas, continuando a impactar a dinâmica da demanda”, aponta.
Já a receita caiu em todos os segmentos em relação ao ano anterior, refletindo a cautela nas compras dos produtores e a sazonalidade mais fraca, com tendências que provavelmente se estenderão ao 1S26, embora a visibilidade permaneça incerta. As margens de produtos biológicos se suavizaram e a rentabilidade recorrente continua sendo um foco para os investidores, com a recuperação dependendo dos preços do 2S26, mas ainda em risco devido a uma perspectiva econômica mais fraca para os produtores.
3Tentos (TTEN3)
A Três Tentos, que afirma ser o ecossistema agrícola mais completo do Brasil, teve lucro líquido ajustado de R$ 230,9 milhões no primeiro trimestre, mais do que duas vezes o resultado positivo de R$ 109,6 milhões de um ano antes.
Na visão da XP, os resultados da TTEN3 foram fortes em todas as frentes, com Ebitda ajustado de R$ 394 milhões (+33% versus a projeção da XP), o que deve levar a revisões positivas de lucros à frente (embora não espere que toda a magnitude supere se traduza em mudanças nas estimativas), ao mesmo tempo em que reduz o risco do case.
Os principais catalisadores do resultado acima do esperado foram margens brutas mais fortes no negócio de Trading (margem bruta ex-hedge de 17,7% versus projeção da XP de 13,5%), juntamente com mais um trimestre de execução consistente de hedge.
“A principal questão, em nossa visão, é quanto dessa performance reflete uma rentabilidade estruturalmente maior nas operações de Mato Grosso”, avalia.
Já o Bradesco BBI aponta que a leitura do trimestre é claramente construtiva, com potencial de revisões positivas à frente. A expansão consistente de rentabilidade, observada de forma disseminada entre as divisões, reforça a qualidade da execução operacional e a efetividade da estratégia de crescimento da companhia.
“Ainda assim, seguimos avaliando que a sustentabilidade dos níveis de margens unitárias, especialmente em indústria e trading, demanda cautela, dado o possível descasamento entre resultados operacionais e efeitos de hedge no período”, aponta.
Mesmo sob uma ótica mais conservadora, o 1T26 representa um importante ponto de inflexão em relação às dúvidas surgidas após a deterioração de margens no 4T25, que havia reduzido a visibilidade para 2026.
“A volatilidade trimestral deve seguir como característica do case, sobretudo pela exposição a variáveis como logística, preços agrícolas e estratégia de hedge, mas o trimestre reforça que os vetores estruturais de crescimento seguem intactos. Com a maturação do recente ciclo de investimentos ainda à frente e múltiplas avenidas de crescimento em curso, mantemos uma visão construtiva para a companhia, que segue como nossa principal escolha no setor agro”, avalia.
Light (LIGT3)
A Light, distribuidora do Rio de Janeiro, registrou lucro líquido de R$ 2,8 bilhões, 573% a mais do que no mesmo período do ano passado. A receita líquida subiu 8,1% na mesma comparação, para R$ 4,406 bilhões.
O Ebitda ajustado da Light, de R$ 423 milhões, ficou 24% acima das suas estimativas, mas 27% abaixo na comparação anual. Apesar da superação frente aos seus números, os resultados continuam bastante pressionados pelos volumes fracos, combinados com perdas não técnicas elevadas e custos de compra de energia altos.
A distribuidora reportou lucro bruto de R$ 789 milhões, 4%menor frente à estimativa de R$ 823 milhões da XP, devido à combinação de volumes menores e maiores custos de compra de energia. No opex, a distribuidora reportou um número 19% abaixo da XPe, uma reversão relevante na comparação com o 4T25, mas que sugere que as despesas podem permanecer voláteis nos próximos trimestres.
No consolidado, a distribuidora reportou Ebitda ajustado de R$ 247 milhões, 21% acima da XPe, mas 48% menor ano contra ano.
Adicionalmente, a Light anunciou a aprovação de seu aumento de capital planejado, entre R$ 1,0 e 1,5 bilhão, como uma das últimas etapas para encerrar o processo de recuperação judicial (Chapter 11).
“Embora os resultados fracos sigam adiando a esperada virada operacional, mantemos visão construtiva, pois esperamos que: i) a revisão tarifária de 2027 reduza substancialmente o gap de perdas; e ii) uma mudança regulatória futura em perdas e inadimplência introduza o conceito de áreas de severa restrição operacional e, potencialmente, revise para cima a inadimplência regulatória”, destaca a XP.