O fundo imobiliário (FII) Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11) conclui a compra de um imóvel alugado para a Portobello pela cifra de R$ 81 milhões. O anúncio foi feito por meio de fato relevante divulgado nesta segunda-feira (18).
O imóvel comprado pelo RBVA11 fica localizado na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim América, em São Paulo (SP) — região que concentra lojas ligadas aos setores de arquitetura, e móveis. A unidade é uma loja flagship da Portobello, companhia do ramo de revestimentos cerâmicos e porcelanatos.
A conclusão da compra pelo FII da Rio Bravo ocorre já que os gestores decidiram exercer um direito de compra previsto em contrato firmado em 2024. Com isso, o fundo passou a deter 100% do ativo.
O cap rate estabilizado estimado da operação é de 8% ao ano.
A loja possui uma área construída de 1,8 mil metros quadrados. O fundo afirma que a região tem forte liquidez imobiliária e faz parte da estratégia de investir em ativos urbanos voltados ao varejo.
O contrato de locação foi firmado em outubro de 2023 na modalidade built to suit — operação em que uma empresa manda construir um imóvel sob medida para o que ela precisa e depois aluga esse espaço por um prazo relativamente alto.
O acordo de locação tem prazo de 20 anos, com correção anual pelo IPCA, principal índice de inflação.
Caso a Portobello decida rescindir o contrato, a multa a ser paga corresponde ao valor total dos aluguéis restantes até o fim do contrato.
Segundo o material divulgado pelo fundo, o imóvel anteriormente era ocupado por uma agência bancária e foi transformado em um espaço voltado ao varejo de rua ligado ao setor de casa e construção.
A gestora afirma que essa mudança reforça a tese de adaptação de imóveis conforme as transformações do mercado e do perfil de consumo das regiões urbanas.
Estrutura da operação de compra da loja da Portobello
A estrutura financeira da aquisição envolveu diferentes frentes.
Do total de R$ 81 milhões, cerca de R$ 3,6 milhões foram pagos em dinheiro. Outros R$ 50,3 milhões foram liquidados por meio da amortização de cotas seniores detidas pelo fundo no FII SPGM.
Já R$ 27,1 milhões foram quitados via compensação de créditos ligados à sexta emissão de cotas do RBVA11.
Com a compra concluída, o fundo aumenta sua exposição ao segmento de casa e construção, mas a fatia representada segue pequena, de cerca de 3%.
O portfólio do fundo segue concentrado em imóveis urbanos alugados para grandes empresas em contratos de longo prazo.
“A operação consolida a estratégia do Fundo de alocação em ativos urbanos de varejo de alto padrão, localizados em regiões consolidadas e com elevada liquidez imobiliária. O imóvel está situado na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, um dos principais corredores de arquitetura, design e decoração da cidade de São Paulo, e foi recentemente entregue, contando com padrão construtivo moderno e alinhado às necessidades atuais da locatária”, diz a gestão do FII, em comunicado.
Portobello soma quase meio século de história
A companhia que alugar o imóvel para sua loja flagship foi fundada em meados de 1979, em Santa Catarina.
Sua rede de lojas soma mais de 160 unidades. O número de funcionários é de cerca de 4 mil. A companhia exporta seus produtos para dezenas de países.
Desde meados de 2008 a empresa possui capital aberto, com ações negociadas na bolsa de valores sob o ticker PTBL3. O seu valor de mercado é de R$ 274 milhões.
No acumulado do ano de 2025, a Portobello anotou R$ 2,6 bilhões de receita líquida com Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de R$ 322 milhões.
A linha final do balanço, no entanto, mostrou prejuízo líquido de R$ 291 milhões no período.
Segundo avaliação da agência de classificação de risco Fitch Ratings, a nota de crédito da empresa é “A-(bra)”.
Cotação do RBVA11
As cotas do RBVA11 operam estáveis no pregão desta segunda-feira (18), a R$ 9,60. No acumulado de 12 meses, os papéis do fundo sobem 10,3%.