O regime da Venezuela, sob pressão dos Estados Unidos, deve libertar nesta semana mais 300 presos políticos ainda detidos no país. O anúncio foi feito nesta terça-feira (19) pelo presidente da Assembleia Nacional, o Parlamento do país, o chavista Jorge Rodríguez, três meses após a aprovação da lei de anistia e uma semana depois de Donald Trump afirmar que seu governo iria atuar para libertar todos os presos detidos por motivos políticos no país sul-americano.
Segundo Rodríguez, as libertações já estão em curso, tendo começado nesta segunda-feira (18) e devem ocorrer até a sexta-feira (22). Entre os beneficiados estão até menores de idade, idosos acima de 70 anos, pessoas com problemas de saúde, mulheres grávidas ou lactantes.
O chavista afirmou, sem provas, que algumas dessas pessoas estiveram envolvidas em “fatos” e “delitos demonstrados”. Entre os nomes que já foram libertados nesta nova leva estão Erasmo Bolívar, Héctor Rovaín e Luis Molina, ex-funcionários da extinta Polícia Metropolitana de Caracas. Segundo a ONG Foro Penal, os três foram soltos nesta terça-feira após ficar 23 anos presos, sendo considerados os presos políticos mais antigos da Venezuela. Eles haviam sido condenados a 30 anos de prisão por acusações relacionadas aos acontecimentos de 11 de abril de 2002, durante a crise política que antecedeu a breve queda do então ditador Hugo Chávez. Naquele dia, confrontos armados nas proximidades de Puente Llaguno, em Caracas, deixaram ao menos 19 mortos e dezenas de feridos.
O anúncio ocorre em meio à pressão constante de Washington sobre Caracas. Na semana passada, Trump afirmou que seu governo vai se assegurar da libertação de todos os presos políticos na Venezuela. O regime venezuelano nega manter presos políticos e afirma que todos os detidos cometeram crimes.
A nova rodada de solturas ocorre após a morte sob custódia do preso político Víctor Hugo Quero Navas, caso que gerou cobrança de partidos opositores e ONGs de direitos humanos por uma investigação independente com apoio internacional. A Foro Penal estima que mais de 400 pessoas ainda estejam presas na Venezuela por motivos políticos.