As ações de bancos avançam e impulsionam o Ibovespa nesta quarta-feira (20), em um movimento de recuperação após as perdas recentes, embora o mercado siga atento aos sinais de deterioração das condições de crédito evidenciados nos balanços do primeiro trimestre.
Na sessão, o sentimento melhora com o alívio nos juros futuros e nos preços do petróleo no exterior, além da recuperação das bolsas americanas, apesar do impasse nas negociações entre Irã e Estados Unidos.
Por volta das 11h50, as ações preferenciais do Bradesco e do Itaú Unibanco subiam 2,76% e 2,70%, respectivamente, embora ainda acumulem perdas superiores a 7% em maio. As ações ordinárias do Banco do Brasil avançavam 1,68%, após queda de 5% no ano e de mais de 7% no mês, enquanto as units do BTG Pactual ganhavam 3,15%, também acumulando desvalorização superior a 7% em maio. No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,51%, aos 176.902 pontos.
Mesmo com a recuperação das ações do setor no pregão, o desempenho recente dos bancos passou a chamar mais atenção dos investidores após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, em meio à percepção de piora gradual na qualidade das carteiras de crédito.
“As ações dos bancos brasileiros começaram a performar pior que o índice com maior intensidade nos últimos 30 dias. As divulgações dos resultados evidenciaram uma piora na inadimplência e nos atrasos. Este é o começo de um quadro de aperto nas condições gerais de crédito na economia”, afirma o sócio da Ethica Services, Ricardo Gallo, em publicação em rede social.
No acumulado dos últimos 30 dias, números compilados pelo Valor mostram que as PN do Bradesco cederam 15,05% no período, ao passo que as ON do Banco do Brasil recuaram 15,03%. Outros papéis de instituições financeiras também perderam força: Itaú PN (-13,86%), BTG Pactual Units (-14,22%), Bradesco ON (-13,44%), Santander Units (-12,13%).
Segundo o profissional, o quadro na pessoa jurídica inspira atenção, mas também já há sinais de deterioração nas carteiras de pessoa física, mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) ainda rodando acima do potencial. “Com a economia esfriando como se espera, isso vai piorar”, acrescenta Gallo.
Por outro lado, o sócio e analista-chefe de renda variável da gestora Mantaro Capital, Pedro Gonzaga, adota uma visão menos pessimista. Ele concorda que a deterioração da qualidade das carteiras tem influenciado a percepção dos investidores sobre os papéis do setor, mas pondera que parte da alta nos indicadores de inadimplência de longo prazo pode ser explicada por uma mudança contábil implementada no início de 2025.