Na contramão de Nova York, o Ibovespa registrou uma performance negativa desde a abertura dos negócios desta sexta-feira. Sem indicações de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã, investidores mantiveram a cautela nos mercados domésticos, em um pregão em que a maior parte das blue chips cedeu. Com o desempenho de hoje, o Ibovespa acumula uma sequência de seis semanas de quedas. A última vez em que isso aconteceu foi em 2018.
Comentários feitos pelo diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller, considerados mais “hawkish” (mais inclinado ao aperto monetário) por investidores, fizeram o Ibovespa ampliar as perdas durante a manhã e recuar até 1,55% no pior momento do dia. Porém, o índice conseguiu se afastar das mínimas na segunda metade do pregão, com uma desvalorização menos intensa de blue chips de instituições financeiras e uma virada positiva da Vale e de Banco do Brasil.
No fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,81%, aos 176.210 pontos, oscilando entre os 174.893 pontos e os 177.649 pontos ao longo do pregão. Já na semana, o índice exibiu baixa de 0,61%. Enquanto isso, em Wall Street, o Dow Jones teve alta de 0,58%; o S&P 500 subiu 0,37%; e o Nasdaq ganhou 0,19%.
Segundo participantes do mercado, um movimento de rotação favorável para ações de tecnologia americanas pode ter reforçado a performance mais negativa do Ibovespa hoje, em um dia em que os investidores aguardaram com apreensão a pesquisa do Datafolha. O levantamento, no entanto, não trouxe grandes novidades durante a tarde e por isso, não gerou reação intensa dos agentes financeiros.
De acordo com o Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu 9 pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno, com o candidato à reeleição marcando 40% das intenções de voto, ante 31% de Flávio.
Na sessão, entre as blue chips, instituições financeiras foram destaque negativo, com exceção das ON do Banco do Brasil, que subiram 0,58%. Nesse sentido, a maior queda foi registrada pelas units do Santander, que perderam 1,78%. Da mesma forma, as PN da Petrobras também exibiram desvalorização de 1,05%. Já as ON da Vale subiram 0,57%.
“Vemos um fluxo de entrada nas bolsas americanas e o juro nos EUA voltando a abrir [na ponta curta e média]. Temos também dirigentes do Fed adotando um tom mais ‘hawkish’, o que acaba aumentando a precificação por uma alta de juros nos EUA [no fim do ano]. Isso tudo é ruim para emergentes. No caso do Brasil, ainda temos o agravante das eleições”, diz um gestor.
Durante a manhã, Waller alertou que a persistência de alta nos preços de energia e commodities, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pode exigir juros mais altos adiante.
Após as falas de Waller, em evento, o mercado passou a precificar chance de alta de juros em dezembro pelo Fed em mais de 67%. Na véspera, a probabilidade implícita de um aumento dos Fed funds no fim deste ano estava em quase 60%.
Hoje, o presidente americano, Donald Trump, prometeu que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, será “totalmente independente”, durante cerimônia de posse na Casa Branca.
Na contramão do forte recuo registrado pela maior parte das ações do Ibovespa, as ações da Azzas 2154 fecharam em alta de 3,86%. Segundo apuração do Valor, há um desenho em discussão para a cisão societária de Alexandre Birman e Roberto Jatahy, sócios da companhia, que passa pelo fim do casamento e uma nova vida para ambos, separadamente, e que depende do aval de Birman para sair do papel.
Um modelo que está na mesa envolve a listagem de três empresas-espelho da Azzas 2154, que refletiriam a separação dos ativos entre Birman e Jatahy. Para analistas do Citi, o possível processo de reorganização societária da empresa pode destravar valor “relevante” para os acionistas, especialmente se a Farm for separada como uma empresa independente.
Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 15,2 bilhões e de R$ 20,7 bilhões na B3.