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sábado, maio 23, 2026

Dólar à vista fecha em alta com cenário geopolítico e Fed conservador no radar

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O dólar à vista exibiu valorização nesta sessão, em linha com o movimento observado nos mercados emergentes, diante da postura mais conservadora do diretor Christopher Waller, do Federal Reserve (Fed), e também ante a incerteza em torno do imbróglio geopolítico no Oriente Médio. Apesar de seguir os pares, o real teve depreciação mais forte, e operadores entenderam que investidores globais podem ter voltado a fazer “hedge” (proteção) em dólar no mercado brasileiro (devido a seu tamanho e liquidez) antes de entrarem na pausa do fim de semana, algo que pode ter ocorrido já na semana passada. Se esse de fato for o caso, na segunda-feira o movimento pode ser o oposto.

Encerradas as negociações desta sexta-feira, o dólar à vista fechou negociado em alta de 0,55%, cotado a R$ 5,0282, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9971 e batido na máxima de R$ 5,0311. Na semana, porém, o dólar recuou 0,77%.

Perto do fechamento, o real apresentava o quarto pior desempenho diário, atrás apenas do won sul-coreano e dos pesos argentino e filipino. O euro comercial exibiu apreciação de 0,41%, a R$ 5,8357. Perto das 17h15, o índice DXY oscilava +0,04%, aos 99,292 pontos.

Desde o começo da sessão, o dólar à vista exibiu alta frente ao real. Na abertura e na primeira hora, o real não aparecia entre as moedas mais fracas do dia, mas foi se tornando uma delas ao passar das negociações. Para um trader de câmbio, o real pode estar pressionado por conta de busca por “hedge” no mercado brasileiro diante das incertezas externas. “No começo da guerra [dos EUA com Irã] vimos isso, de o dólar fortalecer sempre na véspera do fim de semana. Depois predominou a visão de que o real se beneficiava da guerra, então essa posição de proteção deixou de fazer sentido. Agora, com as incertezas eleitorais e com o estrangeiro menos otimista com o Brasil, parece que esse ‘trade’ voltou.”

Além da incerteza geopolítica que já criava um sentimento de aversão a risco, comentários mais conservadores do diretor Christopher Waller, do Fed, ajudaram a piorar a dinâmica de algumas moedas emergentes. Além disso, o enfraquecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua sendo um ponto sensível ao bom desempenho do real, já que havia no mercado a expectativa que a oposição se mostrasse competitiva nas eleições deste ano.

Neste sentido, o economista-chefe para Américas do banco francês Natixis, Benito Berber, diz em nota que no curto prazo é provável que o real perca um pouco mais de valor porque o escândalo do Banco Master agora está contaminando diretamente a candidatura presidencial de Flávio, e não apenas figuras do entorno de Lula.

“Dito isso, ainda não estamos prontos para favorecer posições vendidas em real [contra a moeda brasileira] por várias razões. Primeiro, o caso Banco Master continua sendo uma incógnita e pode eventualmente acabar prejudicando Lula, caso surjam novas informações implicando pessoas próximas ao presidente. Segundo, é plausível que outros escândalos de corrupção não relacionados ao Banco Master, mas envolvendo o PT, venham à tona nas próximas semanas”, diz em nota. “Terceiro, Flávio deve visitar o presidente Trump nos próximos dias. Isso pode tanto sair pela culatra quanto ajudá-lo. O envolvimento de Trump em eleições estrangeiras frequentemente foi contraproducente, como no Canadá e na Austrália. No entanto, mais recentemente, nas decisivas eleições legislativas da Argentina, pode-se argumentar que seu apoio ajudou o partido de Milei, La Libertad Avanza.”

Assim, para o banco francês, as recentes revelações ligando Flávio a Vorcaro estão pressionando o real, mas a eleição ocorre em outubro, deixando bastante tempo para que eventos negativos também afetem Lula. “Além disso, outros fatores continuam sustentando o real, incluindo o elevado carry, um cenário favorável para os termos de troca devido aos preços mais altos das commodities e um ambiente ainda de dólar fraco.”

[Fonte Original]

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