21.1 C
Brasília
quarta-feira, junho 3, 2026

Crítica | Absolute Mulher-Maravilha – Vol. 3: Temporada da Bruxa – Plano Crítico

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

  • Há potenciais spoilers. Leiam, aqui, as demais críticas do Universo Absolute.

Com exceção de Absolute Caçador de Marte, cujo primeiro arco é uma obra-prima e talvez a melhor obra mainstream da última década, a versão Absolute da Mulher-Maravilha é a que considero a melhor do Universo Absolute. E é impressionante notar como Kelly Thompson não descansa em seus louros, conseguindo não só construir em cima e ampliar a nova mitologia que estabeleceu para a Amazona, como costurar uma narrativa densa e violenta, mas sem se esquecer da base da personagem e, melhor ainda, sem prejudicar a ação. Temporada da Bruxa, terceiro arco da história, é uma fenomenal história que apresenta ao leitor ao melhor de todos os mundos, ou seja, dos alicerces gregos da heroína, de sua reinvenção como filha adotiva de Circe que foi criada no inferno e ganhou habilidades mágicas provenientes da mãe que a criou e das deusas que a visitaram e do símbolo de amor e esperança que ela significa no mundo sem heróis desse novo universo da DC Comics.

Antes de o arco efetivamente começar, porém, há um one-shot (Absolute Mulher-Maravilha #15) que representa a primeira vez em que há um crossover desse universo, com Diana viajando até Gotham City para conhecer o Batman marombado em razão de assassinatos que ocorrem por lá com a marca de Hecate que ela tem tatuada no ombro. Essa história faz dobradinha com outra de Absolute Batman que não vem ao caso aqui, mas serve de prova do quanto Thompson está inspirada em seus roteiros: trata-se, para mim, com certa facilidade, da melhor história do Batman desse universo até agora. Sei que fãs dessa versão do Homem Morcego – de longe a HQ mais vendida nos últimos tempos da DC ou Marvel – provavelmente não concordarão comigo, mas a abordagem que a roteirista dá ao gigantesco Bruce Wayne é muito mais interessante e nuançada que a de Scott Snyder, e, vale notar, sem perder a essência dessa versão do personagem.

O arco propriamente dito tem premissa muito objetiva que rima, mas não se mistura, com a do crossover do Batman, ou seja, é a continuação da tentativa da diabólica Veronica Cale de derrotar os super-heróis que vêm surgindo nesse universo a partir da Área 41 apresentada no arco anterior da Mulher-Maravilha, o que se dá por intermédio da introdução do Esquadrão Suicida desse universo composto por Zatanna, Mulher-Leopardo (versão Priscilla Rich), Doutora Veneno, Giganta e Ara e controlado por meio de um parasita que se parecesse demais com uma versão diminuta do Starro. Mas essa objetividade está longe de ser um ponto fraco da história, já que, ao contrário, isso parece permitir que Thompson construa uma dinâmica magistral entre as vilãs, desenvolva naturalmente Zatanna (misteriosamente introduzida ao final do arco anterior) e seu relacionamento com seu pai, Zatara, e continue seu trabalho exemplar de preencher o passado de Diana com flashbacks para a Ilha Selvagem, especialmente abordando a relação dela com Afrodite.

Os encaixes de passado e presente não só são tematicamente relevantes, o que era de se esperar, como eles trazem ainda mais complexidade para a natureza da Amazona, algo que fica evidente pela forma como ela lida com as ameaças e, mais ainda, como Temporada da Bruxa acaba, potencializando mudanças relevantes para o status quo da heroína no que se refere à sua presença entre os mortais, que a adoram. Thompson faz de Diana um símbolo, uma mulher amada por todos, mas cobra um preço terrível por isso que terá que ser pago alguma hora mais para a frente, o que só deixa o potencial do que a personagem tem em seu futuro ainda melhor. Falando em melhor, Hayden Sherman, que cuida da arte dos cinco primeiros dos seis números do encadernado, também não parece contente em fazer só mais do mesmo e continua refinando sua arte, seja na maneira como ele basicamente faz o que quer com a estrutura de quadros, subvertendo noções e criando movimento constante, seja na concepção das novas versões de personagens clássicos, com suas cenas de ação surpreendendo constantemente, com especial destaque para a pancadaria entre Diana e Giganta que ele parece extrair inspiração diretamente de filmes de kaiju. Mattía de Iulis,  que trabalhou na segunda parte do primeiro encadernado da Amazona e também no primeiro anual dela, acerta muito na derradeira edição, mas, sinceramente, Sherman é imbatível aqui.

Temporada da Bruxa é a prova de que Absolute Mulher-Maravilha é uma fantástica reinvenção da heroína e de que Kelly Thompson parece estar no auge de sua criatividade e segurança à frente de personagens desse calibre. E o melhor é que ela consegue criar um universo tão engajante e novas versões de personagens conhecidos, além de inteiramente novos personagens, que realmente dá vontade de conhecer mais do que vem por aí.

Absolute Mulher-Maravilha – Vol. 3: Temporada da Bruxa (Absolute Wonder Woman – Vol. 3: Season of the Witch – EUA, 2025/26)
Contendo:
Absolute Wonder Woman #15 a 20
Roteiro: Kelly Thompson
Arte: Hayden Sherman (#15 a 19), Mattía de Iulis (#20)
Cores: Jordie Bellaire
Letras: Becca Carey
Editoria: Ash Padilla, Chris Conroy
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação: 24 de dezembro de 2025; 28 de janeiro, 25 de fevereiro, 25 de março, 22 de abril e 27 de maio de 2026
Páginas: 216

 



[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img