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quarta-feira, julho 8, 2026

Diogo Cortiz: Brain Fry: A nova exaustão de quem trabalha com IA

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O título me pegou logo de cara: “When using AI leads to Brain Fry”. Em tradução livre, seria algo como: “Quando usar IA deixa o cérebro frito”. Era exatamente assim que estava me sentindo. E, ao ler a matéria, descobri que um levantamento da Boston Consulting Group ajudava a explicar essa sensação.

O estudo envolveu mais de 1.400 empregados nos Estados Unidos, em grandes empresas de diferentes setores, cargos e níveis. Os pesquisadores cruzaram como cada um usava IA no trabalho com medidas de cognição e emoção. 14% dos trabalhadores relataram sentir exatamente aquilo que eles batizaram de “cérebro frito”, uma fadiga mental que vem do excesso de uso ou de supervisão de IA além da capacidade cognitiva da pessoa.

A sacada do estudo foi descobrir que o que mais fritava o cérebro não era necessariamente a quantidade bruta de IA, mas a supervisão. Quem precisava monitorar de perto o que a máquina fazia gastava 14% mais esforço mental e sentia 12% mais fadiga. E isso faz total sentido. Supervisionar uma tarefa exige segurar o contexto e decidir tudo rapidamente e ao mesmo tempo, e a nossa atenção tem um limite baixo para isso.

Outro achado interessante do estudo é bem contraintuitivo. Esse cansaço não é necessariamente burnout. Enquanto o burnout é uma exaustão emocional, ligada ao sentido e volume de trabalho, “brain fry” é uma fadiga aguda dos mecanismos de atenção e memória de trabalho.

E tudo isso está estritamente relacionado com a maneira como usamos a tecnologia. A mesma IA pode nos levar para direções opostas. Quando a IA era usada para tarefas repetitivas e chatas, o burnout caía 15%. Só que quando exigia supervisão intensa, ela fabricava essa fadiga cognitiva.

Aqui entra um ponto importante. A tecnologia sempre alimentou a ilusão de que somos multitarefas, mas agora a IA leva esse engano para outro patamar. A moda é coordenar diferentes agentes e modelos para tentar ganhar produtividade, mas com um custo mental absurdo. O estudo mostrou que a produtividade sobe quando passamos de uma para duas ferramentas de IA, sobe um pouco mais na terceira e despenca a partir da quarta. O fato é que existe um limite, e ele não é alto.



[Fonte Original]

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