Um homem que antes vivia nas ruas de Nairóbi tornou-se uma sensação viral após anos resgatando e convivendo com pássaros feridos. Agora, porém, autoridades demonstram preocupação com os riscos de transmissão de doenças associados à prática.
Rodgers Oloo Magutha encontrou um propósito, e uma forma de superar a depressão vivida durante o período em que morou nas ruas, ao cuidar de aves resgatadas.
Em 2024, ele vivia no centro de Nairóbi quando protestos em massa tomaram conta da cidade. Imagens de Magutha caminhando tranquilamente em meio aos distúrbios, com uma pipa sobre a cabeça, viralizaram e o transformaram em um fenômeno nas redes sociais.
Hoje, ele mora em uma casa de um cômodo nos arredores da capital queniana e reúne dezenas de milhares de seguidores no TikTok e no Instagram, que acompanham sua rotina ao lado de milhafres, corvos, cegonhas e diversas outras aves.
Os animais circulam livremente por sua casa e o acompanham pelas ruas enquanto ele ganha a vida, de forma modesta, coletando sucata e materiais recicláveis.
— Adoro resgatar pássaros — disse ele à AFP, descrevendo-se como um “entusiasta de pássaros urbanos”.
Segundo Magutha, o carinho é recíproco. Ao longo dos anos, ele resgatou mais de 20 aves, entre elas uma cegonha-marabu, uma garça-vaqueira, um íbis-sagrado-africano e uma coruja-das-torres, que acabaram se tornando suas companheiras.
Preocupação com riscos à saúde
Nos últimos dias, porém, sua dedicação passou a ser alvo de críticas.
Autoridades da cidade de Nairóbi pediram que ele libertasse as aves que ainda vivem com ele após a divulgação de um vídeo em que aparece compartilhando o mesmo prato de comida com os animais, o que levantou preocupações sobre riscos à saúde.
Magutha, no entanto, rejeitou os alertas.
—Tenho vivido nas ruas, onde comíamos juntos, dormíamos juntos no frio, mas nunca me aconteceu nada — afirmou à AFP.
Ele também insistiu que os pássaros são livres para partir quando estiverem preparados.
— A minha missão começou com o objetivo de resgatá-los, de lhes dar um espaço seguro onde possam ficar sem serem perturbados, onde possam se sentir livres — disse.
— Quando eles estiverem prontos para serem libertados, eu os libertarei.
Apesar disso, autoridades de saúde mantêm a preocupação. O Instituto de Pesquisa Médica do Quênia alertou que o contato prolongado com animais selvagens deve ser restringido devido ao risco de transmissão de doenças.
Magutha, por sua vez, afirma que deveria ser reconhecido pelos serviços prestados à comunidade.
— Eu divulgo minha conscientização sobre conservação por meio do entretenimento — disse.
— Sou único neste país… Podemos mostrar às pessoas que tudo é possível… que os humanos podem coexistir com a natureza — acrescentou.