Os 10 maiores bancos multilaterais de desenvolvimento destinaram um volume recorde de US$ 162,5 bilhões para financiamento climático em 2025, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Europeu de Investimento (EIB, na sigla em inglês). Desse total, US$ 102,6 bilhões foram direcionados a países de baixa e média renda, indicando que as instituições seguem no caminho para cumprir as metas anunciadas durante a COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão. A Reuters noticiou o assunto.
O cenário, no entanto, é acompanhado de incertezas após a decisão do Banco Mundial de abandonar, no mês passado, sua meta de destinar 45% do financiamento anual a projetos relacionados às mudanças climáticas. A instituição afirmou que passará a priorizar os resultados alcançados pelos empréstimos, e não metas de alocação de recursos.
Na COP29, os bancos multilaterais se comprometeram a elevar o financiamento climático para pelo menos US$ 120 bilhões por ano até 2030 destinados a países de baixa e média renda, além de US$ 50 bilhões anuais para economias de alta renda.
“Esses resultados mostram que os bancos multilaterais de desenvolvimento estão entregando resultados em larga escala e acelerando o apoio onde ele é mais necessário”, afirmou o vice-presidente do European Investment Bank (EIB), Ambroise Fayolle, em comunicado.
O relatório mostra, contudo, a relevância do Banco Mundial para o cumprimento dessas metas. Em 2025, a instituição respondeu por quase metade de todo o financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, participação que vem sendo mantida nos últimos cinco anos.
Questionado pela Reuters sobre os impactos da mudança de estratégia do Banco Mundial, Fayolle evitou comentar especificamente a decisão, mas afirmou estar confiante no cumprimento dos compromissos assumidos.
“Não vou comentar sobre uma instituição específica, mas posso dizer que, quando olho para os números, estou muito otimista de que alcançaremos a meta de 2030”, disse à agência. Segundo ele, o aumento de 21% no financiamento climático para países de baixa e média renda em relação ao ano anterior foi “realmente impressionante”.
O diretor de Clima do Grupo Banco Mundial, Jamie Fergusson, afirmou que os resultados demonstram que a instituição continua respondendo à demanda por um “desenvolvimento inteligente para o clima” e que desenvolvimento econômico e mudanças climáticas são desafios interligados.
Os dados mostram que os recursos destinados aos países de baixa e média renda praticamente dobraram em cinco anos, passando de US$ 51,6 bilhões em 2021 para US$ 102,6 bilhões em 2025.
Os investimentos em projetos de mitigação — como geração de energia renovável e redução de emissões — somaram US$ 68 bilhões, enquanto os recursos voltados à adaptação às mudanças climáticas cresceram 31%, alcançando US$ 35 bilhões.
Nos países de alta renda, o financiamento climático também avançou, passando de pouco mais de US$ 31 bilhões em 2021 para quase US$ 60 bilhões em 2025. Além dos recursos próprios das instituições, os bancos multilaterais mobilizaram US$ 80 bilhões em investimentos privados para projetos climáticos.
Para Danny Scull, pesquisador do centro de estudos E3G, a meta de US$ 120 bilhões anuais para países de baixa e média renda ainda deve ser atingida, apesar da mudança promovida pelo Banco Mundial. Segundo ele disse à agência, entretanto, esse valor representa apenas o piso das necessidades de financiamento estabelecidas nas negociações internacionais.
Na avaliação do especialista, atingir um volume próximo de US$ 180 bilhões por ano, considerado mais compatível com as necessidades dos países em desenvolvimento, dependerá de novos mecanismos de financiamento e de maior participação dos acionistas dos bancos multilaterais.
Durante a COP30, realizada no Brasil no ano passado, essas instituições reafirmaram o compromisso de ampliar o apoio a países que implementam políticas de descarbonização e adaptação climática. A expectativa é que o tema volte ao centro das discussões na COP31, marcada para novembro, na Turquia, em um momento em que a mobilização de recursos para a transição climática segue como um dos principais desafios das negociações internacionais.