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terça-feira, julho 14, 2026

Crítica | G.I. Joe: Comandos em Ação (2023) – Vol. 6 – Plano Crítico

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Depois de um arco que quase não dá para chamar de arco, Larry Hama compensa no sexto encadernado da nova fase de Comandos em Ação em sua nova casa para efetivamente escrever um arco narrativo de verdade e, talvez, o mais interessante até agora na Skybound/Image Comics. Tudo bem que a primeira edição das cinco do encadernado é completamente solta, o que dá aquela impressão de que ele continuará a mesma pegada menos do que ideal anterior, mas, assim que esse one-shot acaba, as quatro edições seguintes trabalham uma história única que surpreende pelo quanto atrás Hama vai para puxar um fio de história e fazer um esperto retcon que até dá a impressão que ele planejou tudo desde o começo.

A edição #326 arremessa o leitor diretamente no meio de uma pancadaria que até parece ser a continuação da que vemos na edição anterior, mas que, na verdade, não é. Nela, Duke, Roadblock, Snake Eyes, Scarlett e Mongoose transportam um prisioneiro no país fictício árabe Benzheen e precisam enfrentar uma horda de soldados que tentam libertá-lo. Dentre o desfile de descrições de estratégias, citações de armas e explosivos e de jargões militares que são as taras infinitas e até engraçadas – mas também desgastantes – de Larry Hama, vemos tiro, porrada e bomba a cada quadro, a cada página, com Andrew Krahnke inclusive exagerando seus traços para fazer de todos os personagens verdadeiros tanques de guerra de tantos músculos retesados. A quantidade de soldados inimigos que essa equipe de Joes dizima não está no gibi e a leitura é como ver um filme de brucutu oitentista, só que no papel, ou seja, legal mas tão rasinho que dá até dó.

No número seguinte (#327), começa a história única que forma um arco no volume, com uma equipe totalmente feminina composta por Dawn, Jink e Cover Girl nas trincheiras e Sherlock e Down Range na cobertura, tentando se aproximar de um Terror Drome (novamente esse assunto volta à baila, mas sem a indicação de um caminho) controlado pela Revanche e seus androides ninjas azuis e que fica dentro de um zigurate em Sierra Gordo, país fictício da América Central. Krahnke, ainda bem, volta a desenhar com traços “normais”, sem transformar as mulheres em fisiculturistas bombadas, e consegue navegar ao redor dos diálogos amarrados de Hama, criando bons e variados visuais e ótimos momentos de ação que ocupam duas edições que são recheadas de acontecimentos que não se apoiam somente em exageros bélicos. É curiosamente na metade da edição #328, em que Dawn é pega em uma gigantesca explosão, que Hama efetivamente apresenta o leitor à história que quer contar: com o impacto concussivo, a ninja de Springfield destrava uma memória no implante da memória de Snake Eyes que o Dr. Mindbender colocou nela, revelando que lá atrás, na edição #10 de G.I. Joe: Comandos em Ação, ou seja, uma HQ publicada em 1983, que revela que o ninja original da equipe teve sua mente alterada pelo Dr. Venom, com a inserção de uma “bomba relógio” a ser ativada em futuro incerto e não sabido.

Apesar de tudo ser razoavelmente explicado no arco, a grande verdade é que décadas de uma única história contínua criam inevitáveis confusões e eu tenho certeza de que o Hama de 1983 não tinha ideia que ao longo do tempo, Snake Eyes morreria, teria sua mente transplantada em Dawn e em Throwdown (Sean Collins), que se tornariam Snakes Eyes II e III e que o próprio Snake Eyes original seria “revivido” em um corpo clonado e que teria sua própria mente reimplantada. No entanto, essa bagunça toda acabou criando a oportunidade perfeita para um retcon dessa natureza, já que afeta diretamente todos os três Snake Eyes que são abordados separadamente no arco, com Dawn de volta ao Poço, Sean em missão em Darklonia ao lado de Beachhead e Helix e o Snake Eyes original em sua cabana com Scarlett, com a bomba relógio, claro, explodindo e transformando os heróis em vilões. Paul Pelletier retorna para desenhar as duas edições finais e sua arte mais refinada acerta bem nas três ambientações diferentes e permite que as historias se entremeiem sem maiores percalços.

A surpresa maior que tive é que, ao que tudo indica, essa história do implante não acabou ainda e promete trazer mais problemas para os Joes e para toda a história das memórias de Snake Eyes sendo copiada para outros dois personagens. Na verdade, considerando que essa é a melhor linha narrativa que Hama escreveu para a fazer atual de sua criação máxima, espero com todas as forças que ela seja explorada em detalhes por pelo menos mais um  arco, talvez até dois, pois definitivamente há muito o que ser trabalhado nela.

G.I. Joe: Comandos em Ação – Vol. 5 (G.I. Joe: A Real American Hero – Vol. 6, EUA – 2026)
Contendo: G.I. Joe: A Real American Hero #326 a 330
Roteiro: Larry Hama
Arte: Andrew Krahnke (#326  a 328), Paul Pelletier (#329 e 330)
Arte-final: Tony Kordos (#329 e 330)
Cores: Francesco Segala
Flats: Sabrina Del Grosso
Letras: Pat Brosseau
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora original: Skybound (Image Comics)
Datas originais de publicação: 11 de março, 08 de abril, 13 de maio, 10 de junho e 08 de julho de 2026
Páginas: 112



[Fonte Original]

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