Jack Mallers renunciou ao cargo de CEO da Twenty One Capital, e os investidores não receberam bem a notícia.
As ações da empresa de tesouraria de Bitcoin — uma empresa de capital aberto que detém Bitcoin em seu balanço, permitindo que investidores comuns obtenham exposição à criptomoeda sem comprá-lo diretamente — caíram mais de 15% nesta terça-feira (21).
Mallers foi cofundador da Twenty One ao lado da Tether — a emissora do USDT, o stablecoin lastreado em dólar mais utilizado no mundo (um token digital que mantém um valor fixo de um dólar e funciona como a espinha dorsal da negociação de criptoativos) — e listou a empresa na Bolsa de Valores de Nova York em dezembro de 2025 por meio de uma fusão SPAC.
Uma SPAC, ou empresa de aquisição de propósito específico, é uma empresa de fachada de capital aberto criada especificamente para levar outras empresas a público mais rapidamente do que uma IPO tradicional permite.
A Twenty One ainda detém 43.514 BTC. Aos preços atuais, esse balanço vale mais de US$ 4 bilhões, classificando-a em segundo lugar entre todas as empresas públicas em detenções de Bitcoin, logo atrás da Strategy de Michael Saylor. A Strategy é a empresa que efetivamente foi pioneira no manual de tesouraria corporativa de Bitcoin em 2020 — tomando dinheiro emprestado para comprar Bitcoin em larga escala e desafiando qualquer um a dizer que era uma má ideia.
A fusão que nunca aconteceu
A saída de Mallers vem acompanhada de notícias piores. O plano da Tether de fundir três negócios de Bitcoin em uma única entidade de capital aberto foi oficialmente desfeito, de acordo com a Bloomberg. A combinação proposta teria unido as operações de tesouraria da Twenty One, a plataforma de pagamentos e empréstimos de Bitcoin da Strike (que opera em mais de 100 países) e a infraestrutura de mineração da Elektron Energy sob uma única empresa listada publicamente.
A Tether apresentou a ideia pela primeira vez em abril de 2026 na Conferência Bitcoin, e Mallers a endossou publicamente. Conforme o Decrypt noticiou, o acordo foi anunciado como uma medida para criar “a principal empresa Bitcoin listada no mundo”, combinando mineração, pagamentos e gestão de tesouraria em uma única ação. Mallers estava programado para liderar a entidade combinada; o fundador da Elektron Energy, Raphael Zagury, seria o presidente.
Essa estrutura foi desfeita. A Strike permanecerá uma empresa independente. A Twenty One e a Elektron ainda estão em discussões iniciais sobre um possível acordo bilateral, mas nenhum acordo foi confirmado ou garantido.
Mallers foi breve no X. “Esta não foi uma decisão fácil, mas foi a correta”, escreveu ele. “O trabalho da minha vida continua sendo Bitcoin. Minha empresa de Bitcoin é a Strike. O trabalho continua.”
Raphael Zagury — fundador da Elektron Energy e ex-diretor administrativo do Deutsche Bank e Merrill Lynch, e vice-presidente do Goldman Sachs — foi nomeado o novo CEO. Sua mensagem aos investidores não se parece em nada com a de Mallers.
Enquanto Mallers construiu a identidade da Twenty One em torno da acumulação agressiva de Bitcoin, Zagury promete disciplina institucional. Conforme o comunicado oficial da Tether, Zagury afirmou que a Twenty One “deve ser medida pelo fluxo de caixa que gera e pela disciplina com que aloca capital”.
As empresas de tesouraria de Bitcoin, como categoria, têm enfrentado ceticismo crescente desde sua ascensão inicial. As ações da Twenty One atingiram uma máxima de 52 semanas de US$ 31,51 antes de caírem para uma mínima de US$ 4,81. Em maio de 2026, a Tether moveu-se para consolidar o controle ao comprar a participação de aproximadamente 25% da SoftBank — uma posição pela qual a gigante de investimentos japonesa havia pago originalmente US$ 999,3 milhões.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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