A Samsung revelou nesta quarta-feira (22) os seus primeiros smartphones com baterias de silício-carbono. Esse é um dos maiores avanços em tecnologias de baterias da marca em dez anos, desde o Galaxy Note 7, mas com outra visão: após anos com essa preocupação extra, a empresa reforça que os usuários podem confiar no novo modelo.
Durante o Galaxy Unpacked de Londres, a Samsung revelou que os novos Galaxy Z Fold 8, Z Fold 8 Ultra e Z Flip 8 utilizam baterias de silício-carbono. Não apenas eles, mas o relógio inteligente Galaxy Watch Ultra 2 também traz a tecnologia.
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A tecnologia de silício-carbono não é exatamente recente. O primeiro smartphone comercial foi revelado em meados de 2013 e, desde então, a adoção tem crescido. Temos alguns exemplos de celulares que utilizam esse padrão:
Em um resumo prático, as baterias de silício-carbono possuem maior densidade sem ocupar tanto espaço físico. Uma conta básica garante, por exemplo, até quase dez vezes a capacidade de baterias tradicionais em um mesmo espaço. Mas há um porém: essa tecnologia costuma se expandir (ou inchar/estufar) mais rapidamente.
Por que a Samsung está usando o silício-carbono agora?
No começo de 2026, a Samsung confirmou que estava trabalhando em um celular com bateria de silício-carbono, mas sem abrir detalhes. Após o evento de hoje, essa ficou a configuração atual dos lançamentos da empresa:
- Galaxy Z Fold 8: 4.800 mAh
- Galaxy Z Fold 8 Ultra: 5.000 mAh
- Galaxy Z Flip 8: 4.300 mAh
- Galaxy Watch Ultra 2: 800 mAh
A densidade dessas baterias é menor do que o que estamos acostumados a ver em outros fabricantes concorrentes. Perguntei a Sunghoon Moon, vice-presidente executivo corporativo e chefe do Mobile R&D Office – Hardware da Samsung Electronics, por que a empresa optou por chegar ao limite de 5.000 mAh nessa nova geração.
Segundo o executivo, a Samsung faz múltiplas considerações nos seus projetos para “levar em conta e equilibrar. Por exemplo, precisamos garantir a portabilidade, o desempenho geral, o controle térmico, a capacidade da bateria e a longevidade”.
“A bateria de silício-carbono tem prós e contras. A Samsung se submete aos padrões internos mais rígidos em relação à segurança e estabilidade”, explicou. No passado, a empresa teve problemas com a bateria do Galaxy Note 7 e se comprometeu a focar, desde então, seus esforços na segurança e longevidade desses componentes.
“Após um longo período de pesquisa e desenvolvimento, conseguimos atender a todos esses requisitos rigorosos e redesenhar este novo sistema de bateria para introduzi-lo pela primeira vez em nossos dispositivos”, citou o executivo.
Usuários devem confiar na nova bateria da Samsung?
Em 2016, o lançamento do Note 7 ficou marcado por problemas na bateria. Os relatos apontavam que o componente podia inchar, pegar fogo e até explodir. A preocupação foi tanta que o smartphone chegou a ser banido de aeronaves.
O caso tomou uma proporção maior com o acúmulo dos relatos, mas a resposta da empresa também foi rápida: a Samsung interrompeu as vendas do dispositivo e até recolheu as unidades já vendidas para evitar futuros problemas — além de desativar outras unidades que não foram “devolvidas” pelos consumidores.
O lançamento de novos smartphones com a nova tecnologia de silício-carbono, garante a Moon, deve ser marcado pela confiança após todos esses anos. “Com o mais alto padrão da Samsung, verificamos cuidadosamente a bateria de silício-carbono para que nossos usuários possam confiar nela”, disse.
“Depois de vivenciarmos o problema da bateria do Galaxy Note 7, mudamos completamente e radicalmente nossos processos e métodos de validação de bateria. Desde então, não tivemos grandes problemas relacionados a baterias”, apontou o executivo.
“Quando se trata de bateria, a Samsung tem uma filosofia forte: segurança, estabilidade e usabilidade a longo prazo. Na série Galaxy Z8, introduzimos o silício-carbono no ânodo para implementar alta densidade de energia”, aponta Yang.
A Samsung precisou ajustar “todos os componentes dos sistemas de bateria” para adotar a tecnologia com alta densidade. Em um tom mais técnico, Moon apontou que a empresa redesenhou “o cátodo, o eletrólito e o separador, bem como o ânodo, para gerenciar a alta reatividade do silício-carbono”. Ou seja: para o lançamento, as baterias foram refeitas respeitando também os diferentes formatos dos dobráveis.
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Quanto ao estufamento de baterias de silício-carbono, o executivo ressalta que a empresa redesenhou “todas as propriedades físicas [da bateria] e desenvolvemos um algoritmo para manter a reatividade sob controle para maior segurança e estabilidade. É por isso que agora estamos apresentando nossa primeira bateria de silício-carbono com confiança”.
Moon ainda trouxe detalhes sobre o desenvolvimento de novos componentes pela Samsung. Segundo ele, qualquer bateria que é utilizada nos produtos da empresa “precisa passar por testes muito severos antes do lançamento”.
“Portanto, com base no aprendizado daquele erro [problemas do Note 7], colocamos a segurança em primeiro lugar e posso dizer com confiança que algo assim não acontecerá novamente“, pontuou.
O lançamento dos novos smartphones dobráveis da Samsung está marcado para 6 de agosto no Brasil. Até o momento, os preços para o mercado local ainda não foram revelados pela companhia.
Um outro acréscimo importante nos lançamentos foi o aumento na potência de recarga. Os três novos smartphones são compatíveis com carregadores com fio de até 45 watts, que virão na caixa dos modelos Galaxy Z Fold 8 e Z Fold 8 Ultra. O Z Flip 8, por outro lado, acompanhará um carregador padrão de 25W.
*O jornalista viajou a Londres, Reino Unido, para cobrir o Galaxy Unpacked a convite da Samsung.