O Pix, sistema de pagamentos instantâneo do Brasil, bateu um novo recorde e ultrapassou a marca de 170 milhões de usuários (somente pessoa física), o equivalente a cerca de 80% da população do país.
Além disso, somente em janeiro de 2026 foram registradas mais de 7 bilhões de transações, enquanto o volume financeiro movimentado ultrapassou R$ 3 trilhões em outubro de 2025. Em 5 de dezembro de 2025, o sistema atingiu um novo recorde, com mais de 313 milhões de operações realizadas em apenas um dia.
No entanto, a forte adoção do Pix e sua ampla aceitação pela população, também viu crescer o numero de ataques hackers ao sistema, principalmente na ponta das fintechs e bancos conectados ao pix. Segundo dados divulgados pelo Banco Central de 2025, foram comunicados 76 incidentes cibernéticos relevantes no Sistema Financeiro Nacional (SFN) ao longo do ano, um aumento de 29% em relação aos 59 casos registrados em 2024.
Mais da metade das ocorrências esteve relacionada a fraudes, enquanto os demais registros envolveram falhas de tecnologia da informação.
Para conter o avanço deste problema e tornar o sistema mais seguro, o BC publicou as Resoluções BCB nº 538 e CMN nº 5.274, com as quais passou a exigir que as instituições demonstrem controles mais efetivos de proteção digital, rastreabilidade e gestão de riscos.
Organizações que não comprovarem maturidade suficiente poderão enfrentar medidas como exigências adicionais de adequação, acompanhamento reforçado e, em situações críticas, restrições temporárias relacionadas à operação do Pix.
Cibersegurança no Pix
Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, consultoria especializada em cibersegurança e compliance, o crescimento dos incidentes reforça que a cibersegurança passou a representar um fator determinante para a continuidade dos negócios e a estabilidade do sistema financeiro.
“Os números mostram que os ataques estão mais frequentes e sofisticados, enquanto o regulador também elevou o nível de exigência. Hoje, não basta responder a incidentes quando eles acontecem. As instituições precisam demonstrar que conhecem seus riscos, monitoram continuamente seus ambientes e conseguem manter a operação mesmo diante de um ataque. Esse é o novo padrão esperado pelo Banco Central”, afirma.
Além dos ataques diretos, o Banco Central identificou vulnerabilidades importantes na gestão de fornecedores e integrações digitais. Entre 606 instituições avaliadas, apenas 37,3% realizavam avaliações periódicas dos riscos de seus prestadores de serviço, enquanto menos da metade mantinha inventário atualizado dos fornecedores ou classificava esses parceiros conforme seu nível de criticidade.
O uso crescente de APIs também amplia a superfície de ataque: embora 72,6% das instituições utilizem esse tipo de integração, apenas cerca de 29% revisam regularmente os riscos associados a essas conexões.
Diante desse novo cenário regulatório, Luiz Claudio avalia que a conformidade deixou de se limitar ao atendimento de requisitos técnicos e passou a exigir uma gestão contínua da segurança cibernética, capaz de comprovar a eficácia dos controles adotados.
“O desafio atual não é apenas implementar controles de segurança, mas demonstrar continuamente que eles funcionam. O Banco Central passa a exigir evidências concretas de governança sobre identidade, acessos, fornecedores, APIs e resposta a incidentes. Segurança deixou de ser um projeto e passou a ser uma capacidade permanente da organização”, destaca Luiz Claudio.
A partir dessa abordagem, Luiz Claudio aponta que a expectativa é que as instituições avancem além do cumprimento das exigências regulatórias e incorporem a segurança cibernética como parte da estratégia de negócio, fortalecendo sua capacidade de resposta a incidentes e a confiança de clientes, parceiros e do mercado.
“Instituições que enxergarem a segurança apenas como uma obrigação regulatória continuarão atuando de forma reativa. As que tratarem a cibersegurança como um elemento estratégico de continuidade operacional estarão mais preparadas para enfrentar ataques, preservar a confiança dos clientes e sustentar seu crescimento em um ambiente financeiro cada vez mais digital”, conclui.