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Por incrível que pareça, a animação Thundarr, o Bárbaro, que foi ao ar originalmente entre 04 de outubro de 1980 e 31 de outubro de 1981, contando com apenas 21 episódios, jamais ganhou adaptação em quadrinhos. Em 2026, a Dynamite Entertainment, que vinha investindo em publicações mensais e minisséries de diversas propriedades clássicas que surgiram pela primeira vez na forma serializada na TV matinal dos EUA e que tomaram boa parte do mundo ocidental, resolveu corrigir essa anomalia e trouxe Jason Aaron para roteirizar uma minissérie a partir da criação de Steve Gerber para a Ruby-Spears e que foi publicada ao longo de 2026.
Contando com seis edições, a minissérie fechada é, em essência, uma história de origem, mas contada por meio de viagem no tempo, artifício que costuma apimentar narrativas de ficção científica e atrair com mais facilidade novos leitores. Vemos como o bárbaro Thundarr, o Mok Ookla e a feiticeira Ariel se conheceram e se juntaram para lutar contra seres mutantes e magos do mal em uma Terra dois mil anos no futuro, completamente devastada pela passagem de um planeta entre nosso planeta e a lua em 1994. Aaron mantém e usa muito bem a fusão de Star Wars com Conan, o Bárbaro, que é da essência da animação e entremeia a narrativa com uma construção de pulos temporais que cria uma conversa interessante entre passado, presente e futuro, seguindo em grande parte a mitologia original, o que para mim foi uma grata surpresa.

Mas Aaron precisa correr e, na correria, ele toma atalhos narrativos que bagunçam um pouco a história e que fazem tudo andar bem mais rapidamente do que deveria. Não é, porém, nada particularmente complexo para quem tiver o mínimo de intimidade com o emprego desse artifício clássico do sci-fi, mesmo quem porventura não conheça a animação. Trocando em miúdos, apesar dos pesares, o roteirista joga seguro e entrega uma história que, mesmo mordendo mais do que pode engolir considerando o número acanhado de páginas, caminha bem pela maior parte do tempo e consegue potencialmente agradar quem assistia ao desenho e quem decida embarcar na mitologia pela primeira vez agora, até porque, vamos combinar, mitologia de animação oitentista não é nem de longe algo feito para ser complicado.
Kewber Baal entrega uma arte que bebe sem vergonha alguma do material original em termos de design de personagens, mas sem deixar de ter traços próprios, que não ficam atrelados demais à simplicidade da animação, marca da produtora e, claro, da época também. E, quando Baal tem oportunidade de fazer algo diferente, ele abraça a chance e entrega bons momentos na minissérie, especialmente na segunda metade, quando a questão da viagem no tempo está a todo vapor, criando núcleos distintos em momentos distintos da história de dois milênios do desenho.
Confesso que fiquei positivamente surpreso pelo fato de a história ser realmente fechada, com começo, meio e fim definidos, que não exigem qualquer continuação. Isso é raro em quadrinhos e mais raro ainda em propriedades dessa ordem, normalmente fáceis de ganharem uma infinidade de edições. Por outro lado, considerando que a série animada teve vida curtíssima e que seu conteúdo é inegavelmente interessante, espero que a Dynamite invista mais em Thundarr e dê seu jeito para que ele e seus inseparáveis amigos retornem com mais aventuras em quadrinhos para compensar os 45 anos que o material permaneceu adormecido.
Thundarr, o Bárbaro (Thundarr, the Barbarian – EUA, 2026)
Contendo: Thundarr, the Barbarian #1 a 6
Roteiro: Jason Aaron
Arte: Kewber Baal
Cores: Jorge Sutil
Letras: Taylor Esposito
Editoria: Joe Rybandt
Editora: Dynamite Entertainment
Datas originais de publicação: 04 de fevereiro, 04 de março, 29 de abril, 20 de maio, 17 de junho e 29 de julho de 2026
Páginas: 144