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sexta-feira, agosto 7, 2026

Foguete da Spacex Colide com a Lua e Lixo Espacial no Solo Lunar Ultrapassa 209 Toneladas

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Uma parte de um foguete Falcon 9, da SpaceX, colidiu com a Lua nas primeiras horas da última quarta-feira (5). O impacto abriu uma nova cratera na superfície e aumentou a preocupante montanha de entulho já existente deixada pela humanidade em solo lunar. Com cerca de 13,8 metros de comprimento, o estágio superior do foguete atingiu a Lua a uma velocidade impressionante de aproximadamente 8.700 km/h, após passar quase sete meses à deriva pelo espaço.

O choque aconteceu por volta das 3h35 (horário de Brasília). Apesar de a colisão ter ocorrido perto da Cratera Einstein, no lado oculto da Lua e sob a luz do dia, tornando o evento invisível daqui da Terra e sem oferecer qualquer perigo real, o episódio acendeu novamente o alerta vermelho sobre o acúmulo de lixo espacial à medida que a corrida rumo à Lua ganha força.

Esse impacto espacial acontece justamente no momento em que a NASA, a China e diversas empresas privadas aceleram o passo para inaugurar uma nova era de exploração lunar, incluindo os planos para a futura base fixa da agência americana, levantando debates sobre como descartar de forma responsável os equipamentos ao fim de cada missão.

A jornada que saiu dos trilhos

O estágio do Falcon 9 foi lançado em 15 de janeiro de 2025, levando a bordo o módulo Blue Ghost Mission 1, da Firefly, e o módulo de pouso lunar Resilience, da iSpace. Enquanto o Blue Ghost pousou com sucesso em solo lunar no dia 2 de março de 2025, o Resilience acabou se chocando contra a superfície em 4 de junho do mesmo ano. Após cumprir seu papel inicial, o corpo do foguete ficou vagando pelo espaço em vez de reentrar na atmosfera terrestre.

Astrônomos passaram a monitorar sua órbita cada vez mais instável até confirmarem, em maio, que ele estava em rota de colisão direta com o satélite natural da Terra. Batizado pelos pesquisadores de 2025-010D, estimava-se que o impacto escavasse toneladas de poeira e deixasse para trás uma cratera de cerca de 27 metros de largura na superfície lunar.

Como o impacto ocorreu em uma região ensolarada, o brilho direto da colisão acabou sufocado pela claridade do Sol, mas a comunidade científica tinha a expectativa de ver uma nuvem de poeira subir além da linha do horizonte lunar, oferecendo uma oportunidade única para estudar o “pós-impacto” de um choque artificial. Dados e imagens detalhados devem ser divulgados nos próximos dias e semanas.

Em 2009, a missão LCROSS da NASA lançou intencionalmente o estágio de um foguete Centaur contra a Lua para analisar a pluma de detritos resultantes, revelando pela primeira vez a presença de água em formato de gelo.

O “entulhamento” da Lua só aumenta

O acidente ressaltou o incômodo problema do lixo espacial à medida que a Lua se torna o destino do momento. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), existem cerca de 35 mil objetos rastreados ao redor da Terra, enquanto dados da BBC apontam que já existem por volta de 3 mil objetos feitos pelo homem largados na Lua, somando um peso combinado de mais de 209 toneladas. A lista inclui desde estágios de foguetes usados e naves aposentadas até instrumentos científicos e restos de equipamentos acumulados desde que a missão soviética Luna 2 se tornou a primeira a tocar o solo lunar, em 1959, sem contar com os rastros históricos deixados pelas icônicas missões Apollo 11, 12, 14, 15, 16 e 17.

De acordo com o portal Space.com, mais de 100 missões lunares estão planejadas para a próxima década, entre iniciativas governamentais e comerciais. Cientistas alertam que, sem um rastreamento mais rigoroso e regras internacionais claras para o descarte de espaçonaves, o lixo espacial pode colocar em risco futuras missões robóticas, bases humanas e até contaminar áreas intocadas que preservam bilhões de anos da história geológica do nosso satélite natural, além de colocar em risco sítios de pouso históricos como os das missões Apollo.

Atualmente, a NASA planeja construir uma base permanente perto do Polo Sul lunar por meio das missões Artemis, criando o que chama de “presença duradoura” na superfície da Lua. O objetivo da base é dar suporte a pesquisas científicas de longo prazo, testar tecnologias de sobrevivência no espaço e preparar o terreno para os primeiros passos da humanidade em Marte.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

[Fonte Original]

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