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sexta-feira, agosto 7, 2026

Assaí não prevê nova onda de investimentos; ação tem 3ª maior queda no Ibovespa

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O comando do grupo Assaí foi questionado nesta sexta-feira (7) sobre a volta da onda de investimentos da companhia e preferiu não dar detalhes de uma nova fase de desembolsos na empresa. A cadeia de atacarejo desacelerou gastos num ambiente de desaquecimento em consumo, e pela necessidade de reduzir alavancagem interna, mas os níveis de endividamento da rede já caíram, o que fez crescer as dúvidas de um retorno nos investimentos.

“Quando voltarmos a investir teremos um modelo mais completo de loja para uma futura expansão, mas isso vai depender de curva de desalavancagem [das famílias], da assertividade de nossos projetos e da estrutura de capital da empresa”, disse Belmiro Gomes, presidente da empresa, durante a teleconferência de resultados.

A atacadista investiu R$ 190 milhões de janeiro a junho, versus R$ 241 milhões no mesmo período de 2025, uma queda que é reflexo do movimento de disciplina financeira da rede.

Ao mesmo tempo, a empresa alcançou no segundo trimestre o menor indicador de alavancagem desde o terceiro trimestre de 2021.

Ainda na teleconferência, a companhia disse que o mês de julho foi positivo em receita.

As vendas “mesmas lojas”, indicador que mostra a venda em pontos em operação há mais de 12 meses, cresceram 0,5% em julho. No segundo trimestre, a alta foi de 0,9%.

Gomes ainda afirmou que o evento climático El Nino deve impactar nos produtos commodities que estão com preço depreciado. “Deve ter efeito positivo em preço”, disse.

Nos últimos tempos, o principal efeito em preço na empresa tem sido o movimento de “trade down”, segundo o CEO.

O “trade down” funciona como uma espécie de amortecedor parcial da inflação no bolso das famílias — o cliente troca as marcas mais caras pelas mais baratas.

Diante da pressão de preços, o consumidor mantém frequência de compra, mas muda a composição da cesta. “Esse movimento ajuda a explicar a combinação de crescimento de vendas, ganho de participação e tíquete médio pressionado”, disse Gomes.

A empresa ainda deu mais detalhes de sua operação de marca própria, que deve ter 250 itens lançados em 2026, afirmou o comando.

No segundo trimestre foram lançados cerca de 30 itens das marcas Assaí Chef, Assaí e Econobom. Novos produtos devem ser incorporados nas próximas semanas, como batata palha, farinha de trigo, sal, bebida láctea e sabão em pó, incluindo o lançamento da marca de limpeza Assaí Bloom.

A diretoria financeira ainda disse que vai continuar consumindo crédito plurifásico mensalmente. O uso de créditos melhorou o lucro líquido de abril a junho.

O lucro líquido atingiu R$ 537 milhões no segundo trimestre, alta de 103% em relação ao mesmo período de 2025. O montante considera R$ 193 milhões referentes ao reconhecimento de créditos de PIS/Cofins decorrentes de créditos tributários extemporâneos sujeitos ao regime plurifásico (incidente sobre diversas fases da circulação de produtos).

Ao desconsiderar esse montante, o lucro líquido recorrente ainda foi de R$ 344 milhões, cerca de 94% acima do ano anterior — o que a empresa chama em seu relatório de resultados de “consistência operacional em um cenário adverso”. A varejista vem sendo impactada pelo ambiente de volume vendido em queda ou em desaceleração, que afeta todo o setor desde 2024.

A receita líquida teve expansão magra, de 0,9%, para R$ 19,17 bilhões, 1% abaixo do consenso. A ação da empresa na B3 caía mais de 5% no começo da tarde, na terceira maior queda do Ibovespa, num movimento que reflete um desempenho fraco no trimestre, na visão do JP Morgan, em relatório sobre os números.

— Foto: Divulgação/Assaí

[Fonte Original]

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