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quarta-feira, agosto 12, 2026

Ibovespa Fecha em Queda com Cena Corporativa em Foco; Petrobras Cai 3%

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O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta sexta-feira (07), com o Ibovespa fechando na mínima em um mês, em meio à repercussão de uma nova bateria de resultados corporativos, com Petrobras entre as maiores pressões, mesmo após um dos maiores lucros trimestrais da sua história.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,73%, para 172.513,42 pontos, chegando a 172.131,20 na mínima do dia. No melhor momento, nos primeiros negócios, avançou a 176.116,84 pontos.

Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 3,08%.

Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, houve um combo de notícias locais que acabaram pesando no Ibovespa.

Do lado corporativo, ele destacou a indicação da Petrobras de que é muito improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano, enquanto os resultados de Lojas Renner e Magalu foram bem ruins, contaminando o setor. Em paralelo, acrescentou, há a pressão oriunda do quadro fiscal do país e expectativa sobre a eleição.

“Tudo isso afasta ainda mais o estrangeiro, que não vê nenhum gatilho no curto prazo para manter recurso na bolsa brasileira”, afirmou. “Hoje, me pareceu um pouco um cenário de ‘jogando a toalha’”, acrescentou, citando a forte queda de ações blue chips como Itaú, além da Petrobras.

“O mercado local está muito barato ainda, isso justifica o movimento mais lateralizado das últimas semanas/meses, mas conforme a sensação de piora dos fundamentos da economia aumenta, pode cair mais”, avaliou.

“Os últimos dados de atividade econômica mostram uma desaceleração, inadimplência alta, dívida do país subindo. Sem um choque nas expectativas, fica difícil mudar a tendência”, acrescentou Pedroso.

Investidores também analisaram dados do mercado de trabalho norte-americano, que registrou o fechamento de 23 mil postos no mês passado, ante previsão de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego caiu de 4,2% em junho para 4,1% em julho.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,62%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA recuava a 4,6433% no final da tarde, de 4,6882% na véspera.

Destaques

• PETROBRAS PN caiu 2,99% e PETROBRAS ON cedeu 3,42%, abandonando o sinal positivo da abertura, mesmo após divulgar na véspera lucro líquido de R$52,4 bilhões entre abril e junho, o terceiro maior lucro líquido trimestral de sua história, impulsionado pelo aumento da produção, pelas maiores exportações de petróleo e pela forte alta dos preços internacionais da commodity. O CFO da estatal afirmou nesta sexta-feira que é muito pouco provável que se pague dividendos extraordinários este ano.No exterior, o barril do petróleo Brent fechou em alta de 1,29%.

• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 2,58%, com a maioria das ações de bancos do Ibovespa com sinal negativo nesta sexta-feira. Dados do Banco Central mostraram que a caderneta de poupança no Brasil registrou em julho retiradas líquidas de R$7,153 bilhões, maior volume de saques desde março. Na visão de analistas do Citi, as tendências de endividamento das pessoas físicas continuam preocupantes. No setor, BRADESCO PN recuou 2,2%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,08% e BTG PACTUAL UNIT caiu 4,07%. SANTANDER BRASIL UNIT ficou estável.

• VALE ON encerrou em baixa de 0,56%, contaminada pelo viés vendedor na bolsa, após avançar quase 1% na máxima do dia, em pregão marcado pela alta dos preços do minério de ferrona China. O contrato mais negociado em Dalian encerrou a sessão em alta de 0,35%.

• LOJAS RENNER ON desabou 8,09%, após a varejista cortar previsão de vendas para o ano, depois de um segundo trimestre mais fraco do que o planejado, com redução do fluxo de clientes nas lojas físicas durante a Copa do Mundo em intensidade superior à observada historicamente, bem como efeitos de um cenário macroeconômico mais desafiador. No pior momento, caiu mais de 15%. A companhia aposta em novas lojas e base fraca de comparação para acelerar as vendas no segundo semestre, com expectativa de margem bruta estável.

• MAGAZINE LUIZA ON perdeu 3,72%, tendo como pano de fundo um prejuízode R$50,4 milhões no segundo trimestre, revertendo resultado positivo registrado um ano antes, com queda em receita.

• ASSAÍ ON caiu 2,94%, após o balançodo segundo trimestre mostrar um resultado pressionado pelo ambiente de consumo ainda desafiador, com a receita líquida crescendo apenas 0,9%.

• FLEURY ON disparou 9,73%, refletindo a repercussão positiva do balanço robusto do segundo trimestre, que mostrou lucro líquido de R$221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7% em relação ao mesmo período do ano passado, acima das previsões no mercado. Na teleconferência de resultados nesta sexta-feira, a administração também apresentou uma perspectiva otimista para o segundo semestre, de acordo com analistas do Citi.

• ALPARGATAS PN, que não faz parte do Ibovespa, saltou 10,36%, tocando uma máximaintradia em cinco meses, após a dona da marca Havaianas quase dobrar o lucro no segundo trimestre, com expansão de receita e melhora em margens.

Dólar cai ante real após queda inesperada do emprego nos EUA

O dólar fechou a sexta-feira em queda no Brasil e encerrou a semana abaixo dos R$5,10, após o fechamento inesperado de postos de trabalho nos EUA em julho pesar sobre a moeda norte-americana em todo o mundo.

O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,41%, aos R$5,0845. Na semana, porém, a divisa acumulou alta de 0,31%. No ano, a baixa acumulada é de 7,37%.

Às 17h05, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,59% na B3, aos R$5,1105.

O Departamento do Trabalho informou pela manhã que foram fechados 23 mil postos de trabalho nos EUA em julho, contrariando a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa da Reuters de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, ante 4,2% projetados.

O dado anterior foi revisado para pior, passando a apontar criação de 20 mil vagas em junho, ante os 57 mil postos de trabalho inicialmente informados.

A surpresa negativa com o relatório de empregos disparou a queda forte dos rendimentos dos Treasuries e a venda da moeda norte-americana, com os investidores avaliando que a fraqueza dos dados reduz as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo.

No Brasil, após atingir a cotação máxima intradia de R$5,1044 (-0,02%) às 9h29, pouco antes do relatório, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0721 (-0,65%) às 9h34, já depois dos dados. O movimento estava em sintonia com a queda do dólar ante outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano.

“O dólar vem operando no lado negativo principalmente pela desaceleração do emprego nos EUA, que reduz a força do dólar globalmente (DXY), diminuindo a pressão compradora na moeda frente ao real”, resumiu à tarde Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.

Às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,36%, a 99,582.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de setembro.

Os preços do petróleo subiram nesta sexta-feira, à medida que os mercados avaliavam um acordo em andamento entre o Irã e Omã que estabeleceria regras para o trânsito pelo Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 1,29%, para fechar a US$ 83,55 o barril. Os contratos futuros do West Texas Intermediate subiram 1,15%, para fechar a US$ 78,18.

Os futuros do petróleo haviam fechado com alta de mais de US$3 por barril na quinta-feira, enquanto o Irã analisava um projeto de lei para proibir a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, no final de fevereiro.

Os preços do petróleo caíram no início da semana, à medida que uma possível solução para o conflito parecia mais provável, e ambos os índices de referência estão a caminho de uma perda semanal de mais de 9%.

“O mercado está tentando avaliar se um acordo entre o Irã e Omã permitiria que um navio com bandeira dos EUA transitasse pelo Estreito de Ormuz”, disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates. “Será que permitiria a passagem de um navio de propriedade dos EUA? Será que permitiria a passagem de um navio com destino a um porto dos EUA?”

Tanto o Irã quanto Omã teriam chegado a um acordo sobre a rota que os navios seguiriam pelo estreito, que fica entre os dois países.

O mercado de petróleo também está tentando determinar quanto tempo pode levar para encerrar a guerra que já dura cinco meses entre os EUA, Israel e o Irã, disse Lipow.

“Quanto mais tempo durar a interrupção no abastecimento, mais as reservas comerciais mundiais serão esgotadas”, disse ele.

Analistas também afirmaram que os acontecimentos desta semana indicaram que as hostilidades entre o Irã e os EUA ainda não chegaram ao fim.

[Fonte Original]

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