A ausência de conclusão do mandato dos quatro últimos governadores do Rio de Janeiro e a promessa de garantia foi o primeiro questionamento aos participantes do primeiro debate para o governo do Rio, neste domingo. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que chegou a ser preso duas vezes, além de ter uma candidatura indeferida, foi o primeiro a responder sobre o tema.
O debate não contou com a presença do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), líder nas pesquisas, que desistiu de comparecer ao encontro. Participam o deputado estadual Douglas Ruas (PL), Garotinho, o vereador pelo Rio William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo).
Garotinho defendeu que o Rio vive uma “bagunça” nos últimos 20 anos devido aos governos de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Cláudio Castro. Em sua fala, defendeu seu legado à frente do Estado, se colocando com nome para evitar “desastre maior”. Garotinho alfinetou os adversários, sem citar nomes.
— Duas candidaturas defendem uma das três organizações criminosas do estado. O estado tem o tráfico, a milícia e a Alerj: três organizações criminosas infestadas de bandidos. Um é amigo da Lucinha, da milícia. Outro é amigo do Bacellar, do Comando Vermelho. A população me escolheu para colocar essas pessoas na cadeia — atacou Garotinho.
Os outros candidatos aproveitaram a pergunta para se apresentar ao público. Ruas tentou se desvincular do ex-governador Cláudio Castro (PL), e citou ser filho de Capitão Nelson, ex-prefeito de São Gonçalo.
André Marinho, do Novo, alfinetou Paes pela ausência, que “aqui não se faz presente”, e pregou “mais respeito e menos esculacho”.
A primeira rodada será de perguntas temáticas feitas pelos mediadores, com confronto direto entre os debatedores e rodadas de questionamentos conduzidas por jornalistas. Todos os candidatos responderão as questões temáticas, e cada participante terá dois minutos para a resposta.
Nas rodadas de perguntas feitas por jornalistas e nos confrontos diretos, os questionamentos têm duração de um minuto. O candidato que responde ganha quatro minutos para administrar livremente entre a sua resposta e a tréplica.
Ironia de Garotinho e comboio de Ruas
Antes do debate, Garotinho disse que pretende questionar os outros candidatos sobre Segurança Pública, e que apresentará a sua proposta. Ele também lamentou a ausência de Paes, e disse que, caso o ex-prefeito fosse, questionaria a declaração de patrimônio do candidato do PSD de R$ 180 mil na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
— Se ele não quis enfrentar o Garotinho, não é capaz de enfrentar o crime organizado no Rio — alfinetou.
Ao ser questionado sobre o pedido do Ministério Público do Rio de executar e condenar Garotinho por improbidade administrativa, o ex-governador afirmou que isso é “caso superado” e “mais um desespero” dos adversários.
Atual presidente da Alerj, Douglas Ruas tentou se desvinculhar do ex-governador Claudio Castro, de quem já foi secretário, e disse que “nunca escolhe chefe, escolheu missão”. Ao falar do governador Ricardo Couto, citou uma relação “institucional e republicana” com ele, e que elogiou a redução da “máquina pública”.
Já André Marinho disse que se propõe a ser “sangue-novo” para derrotar os “sanguessugas” da política. Ao ser questionado sobre a falta de experiência para governar o estado do Rio, ele lembrou do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, que era comediante antes da presidência e que virou “comandante” de um país.
William Siri disse ser o único candidato de esquerda dentre os participantes, e citou o atual governador Ricardo Couto para dizer que o seu partido, PSOL, deseja valorizar o servidor público. Ele destacou Educação como tema mais importante.
A candidatura de Ruas reuniu, antes do início do debate, um grupo de mulheres apoiadoras do lado de fora da Casa Firjan. O grupo reúne mulheres de São Gonçalo, reduto eleitoral do atual presidente do Alerj, do seu pai, o ex-prefeito Capitão Nelson, e de Niterói, cidade da vice escolhida para a chapa, da vereadora Fernanda Louback (PL-RJ).
Ao GLOBO, integrantes relataram ter vindo ao local em duas vans, em uma caravana organizada pela vereadora de São Gonçalo Patrícia Silva (PL-RJ), que usa um boné rosa com os dizeres “Estou com Douglas Ruas”. A organizadora conta que é responsável pela interlocução da campanha de Ruas com as mulheres, com participação nas propostas descritas no plano de governo do candidato para o público feminino. O grupo também declarou à Fernanda e ao deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), escolhido como candidato ao Senado na chapa de Ruas.
Em menor quantidade, apoiadores do Psol também se reuniram na porta e levantaram bandeiras do partido em apoio a William Siri.