As companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto com querosene de aviação (QAV), o combustível usado em aeronaves comerciais, desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. O levantamento é da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, a Abear, fundada por Azul, Gol e Latam.
A conta ajuda a explicar por que o setor recorreu, semanas atrás, a uma linha de crédito bilionária do governo federal.
Segundo a associação, o preço do QAV acumula alta de 49% desde fevereiro, já considerando o reajuste de 1,9% anunciado pela Petrobras no dia primeiro de agosto. Com a escalada, o combustível passou a responder por 39% dos custos das companhias.
O QAV é reajustado mensalmente pela Petrobras e acompanha a variação do mercado internacional de petróleo e derivados, o que deixa as empresas aéreas expostas tanto ao preço da commodity quanto ao câmbio, já que se trata de um custo dolarizado.
Foi essa combinação que fez o combustível praticamente dobrar de preço em maio, na comparação com o patamar anterior ao conflito. Somente naquele mês, as empresas desembolsaram cerca de R$ 1,6 bilhão adicionais e segundo a Abear o montante equivale ao custo de arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves.
Crédito do BNDES de R$ 13,2 bilhões
Diante da pressão sobre os custos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou em 30 de julho, a liberação de R$ 13,2 bilhões em crédito para as três maiores companhias do país e para a regional Abaeté Táxi Aéreo.
Desse total, R$ 8 bilhões serão destinados a capital de giro. A taxa será de 4% ao ano, e a linha poderá ser contratada até dezembro de 2026.