O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informa, em ata divulgada nesta manhã, que manteve a assimetria altista no balanço de riscos para a inflação, conforme já havia adiantado em comunicado na semana passada.
O colegiado lista quatro riscos altistas para a inflação e três riscos baixistas. A ata detalha a decisão da semana passada de baixar o juro básico da economia de 14,25% ao ano para 14% ao ano.
Os riscos altistas incluem “uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia”.
Também estão listados entre os riscos altistas para a inflação: uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.
São listados três riscos baixistas: uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Expectativas de inflação
Na ata, o Copom também afirmou que “monitora com atenção” a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos e “tem debatido as possíveis causas desse movimento das expectativas”.
Segundo o colegiado, as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes.
“Foi ressaltado que o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas”, diz a ata.
“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária contribuirão para a reancoragem das expectativas, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo”, acrescenta.
O documento reitera ainda que “a principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Na ata, o Copom disse que segue acompanhando “detidamente” o mercado de trabalho e que segue atento ao debate sobre as suas dimensões corrente e estrutural. Enfatizou a necessidade de aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia.
Segundo a ata, a taxa de desemprego mantém-se em patamares historicamente baixos, enquanto o crescimento da taxa de ocupação vem apresentando desaceleração. Já os rendimentos médios desaceleraram na margem, mesmo em termos nominais, “mas ainda crescem em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho”.
Para a diretoria colegiada do BC, a atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação, tal como antecipado pelo Comitê. “Indicadores correntes apontam para desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado”, disse a ata.
O comitê afirmou que, em momentos de inflexão no ciclo econômico, observam-se sinais mistos advindos de indicadores econômicos. “O arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, afirmou a ata.
O Copom reforça, na ata, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas. O comitê voltou a argumentar que a política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros.
“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, assinala. “O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.”
Para o Copom, as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas.