O Bitcoin teve a desculpa macro para subir, mas ele não aproveitou.
Empregadores dos EUA cortaram 23.000 empregos em julho, a primeira perda líquida desde a recuperação pós-pandemia e um resultado muito abaixo do ganho de 95.000 que os economistas esperavam.
Os mercados interpretaram isso como um motivo para o Federal Reserve manter as taxas inalteradas, e os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram.
Isso deveria ter sido combustível para um rali de ativos de risco. Em vez disso, o último candle diário do Bitcoin mostra-o tocando o preço médio dos últimos 50 dias e imediatamente revertendo para abaixo desse patamar.
O desempenho dos 10 maiores ativos de criptomoedas por capitalização de mercado conta a mesma história em termos relativos. O Bitcoin foi um dos grandes ativos mais estáveis da semana, com +0,8% em sete dias — ficando atrás apenas do BNB e da Solana — no entanto, ainda não conseguiu fechar acima do seu próprio teto da média móvel.
Quando o maior vento favorável macro em semanas não consegue reverter uma “cruz da morte”, o mercado está lhe dizendo algo.
Preço do Bitcoin: o que os gráficos dizem
O Bitcoin está sendo negociado a US$ 64.121, em queda de 1,2% no dia, fixado logo abaixo do suporte de US$ 64.568 em um mercado que ainda apresenta uma “cruz da morte”, uma formação nos gráficos que é um clássico indicador de baixa para os traders.
Desde o pico de maio perto de US$ 80.000, quando os traders tinham um vislumbre de esperança de ver o Bitcoin consolidar uma “cruz dourada” (o inverso de uma “cruz da morte”), a criptomoeda registrou máximas e mínimas mais baixas, sangrando em junho e julho para uma base volátil e inclinada para baixo.
A perna do topo de US$ 66.921 até a mínima de US$ 62.216 estabeleceu a estrutura. O preço se recuperou desse piso de US$ 62.216 e tentou retomar a média móvel exponencial de 50 dias, ou EMA — a borda inferior da nuvem vermelha da EMA — mas estagnou e recuou.
Essa recuperação se parece exatamente com o que as armadilhas de touro (bull traps) devem ser: suficiente para atrair compradores, mas não o bastante para se sustentar. Um mercado tão sem tendência pode se comprimir por mais tempo do que a maioria dos traders espera.
O preço médio dos últimos 50 dias ainda está abaixo da média móvel de 200 dias, na formação que os traders chamam de “cruz da morte”.
As médias móveis exponenciais suavizam o preço médio durante um período definido; quando a média de curto prazo negocia abaixo da de longo prazo, isso indica que a trajetória de médio prazo permanece em baixa. Os “touros” precisavam de um fechamento diário acima da EMA50 para começar a reverter essa leitura, e não o conseguiram.
O Índice de Força Relativa, ou RSI, marca 50, totalmente neutro. O RSI é um medidor de momentum em uma escala de 0 a 100: acima de 70 é sobrecomprado, abaixo de 30 é sobrevendido. Em 50, nem compradores nem vendedores têm a vantagem, o que se alinha com uma criptomoeda que se recuperou e imediatamente cedeu.
O Indicador de Momentum Squeeze está “ligado” e tem estado em processo de carregamento por 22 dias, com o momentum subindo. Squeezes (quando a volatilidade se comprime em uma faixa estreita) geralmente se resolvem na direção da tendência anterior, e aqui a tendência anterior é de baixa.
No entanto, nem sempre é o caso, e o indicador apenas sugere que um grande movimento pode estar a caminho, não a direção mais provável.
O Índice Direcional Médio, ou ADX, está em 10,6. O ADX mede a força da tendência independentemente da direção; leituras abaixo de 20 indicam um mercado sem direção, com muita oscilação, onde falsos rompimentos e “caças a stop” são comuns.
Em 10,6, a tendência não tem convicção real — embora os indicadores direcionais apontem para baixa (DI- está acima de DI+), o que se alinha com a falha em ultrapassar a EMA50, em vez de contrariá-la.
O cenário de alta: um fechamento diário acima da zona dourada em US$ 64.568, e depois acima da EMA500 que limitou a última recuperação, abre caminho para uma corrida até o topo de US$ 66.921. Isso exige que a narrativa de corte de juros impulsionada pelos empregos realmente puxe o BTC através da nuvem, e não apenas o toque.
O cenário de baixa: perder a mínima de US$ 62.216 confirma a sequência de mínimas mais baixas e abre caminho para a marca redonda de US$ 60.000 e o patamar de US$ 58.000 abaixo dela. A “cruz da morte”, o momentum Squeeze negativo e a falha em retomar a EMA50 apontam todos na mesma direção. Por enquanto, a próxima perna não parece ser de alta.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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