A São Carlos (SCAR3) registrou prejuízo líquido de R$ 54,2 milhões no segundo trimestre de 2026, ante prejuízo de R$ 3,9 milhões no mesmo período de 2025. A informação consta em balanço divulgado pela empresa no final desta terça-feira (11).
Segundo a administração da São Carlos, a última linha do resultado é explicada principalmente pelo efeito da consolidação dos Fundos Imobiliários (FIIs) TGRU, SC Jive Mauá e SC Renda Imobiliária, dos quais a companhia possui posição em cotas.
Excluindo efeitos não recorrentes, o prejuízo líquido foi de R$ 8,9 milhões, uma melhora de 44,9% frente ao prejuízo de R$ 16,1 milhões apurado um ano antes.
A receita líquida foi de R$ 17,6 milhões, queda de 60% ante os R$ 44 milhões registrados no segundo trimestre do ano anterior.
Já o EBITDA recorrente totalizou R$ 4,5 milhões, recuo de 86,6% no comparativo de base anual.
São Carlos reverte posição financeira para caixa líquido
A São Carlos no 2T26 anotou R$ 159,7 milhões em caixa líquido, revertendo uma posição de dívida líquida de R$ 285,3 milhões apenas três meses antes.
A guinada é fruto de uma desmobilização recorde de ativos e do avanço da companhia como consultora imobiliária de FIIs, frente que já soma R$ 2,1 bilhões em patrimônio sob gestão.
“Estamos avançando na transformação do nosso modelo de negócios, combinando a gestão eficiente dos ativos próprios com uma atuação cada vez maior na prestação de serviços. Isso nos permite ampliar as receitas recorrentes e, ao mesmo tempo, aproveitar o conhecimento que construímos ao longo de décadas no mercado imobiliário”, afirma o CEO da São Carlos, Gustavo Mascarenhas.
O grande destaque do trimestre foi a venda de R$ 742,2 milhões em imóveis, a um cap rate médio de 8%.
A transação mais relevante envolveu um pacote de escritórios — fatias do EZ Towers (53%), CA Santo Amaro (bloco B/D), City Tower e Pasteur 154, somando 76,8 mil m² de ABL — negociado por R$ 735,0 milhões com o FII SC Renda Imobiliária em maio.
O centro de conveniência de Piracicaba (Av. Brasília) também foi vendido, por R$ 7,2 milhões.
Com isso, a companhia encerrou o 2T26 com R$ 926,4 milhões em caixa e aplicações financeiras contra uma dívida bruta de R$ 791,1 milhões. Com isso, terminou junho com caixa líquido de R$ 159,7 milhões, ante dívida líquida de R$ 285,3 milhões no trimestre anterior e de R$ 369,3 milhões um ano antes.
No trimestre, a companhia também quitou integralmente o CRI 307 (R$ 53 milhões) e amortizou R$ 20 milhões do CRI 216, que teve o saldo remanescente liquidado em agosto.
O custo nominal da dívida caiu para 11,9% ao ano, com prazo médio de 5 anos.
Somando os últimos 12 meses, a São Carlos já desmobilizou R$ 1,62 bilhão em ativos, com desconto médio de 18,7% sobre o Valor Patrimonial Líquido (NAV, na sigla em inglês) e cap rate médio de 8,1%.
Como evento subsequente, em 3 de agosto a companhia ainda vendeu o centro de conveniência de Mogi das Cruzes por R$ 8,7 milhões.
O saldo da mudança do modelo de negócios
Depois de 12 meses de vendas, o portfólio remanescente da São Carlos é composto por 35 imóveis. São 29 centros de conveniência e 6 edifícios corporativos que totalizam 140,9 mil m² de Área Bruta Locável (ABL) e valor de avaliação de R$ 916,1 milhões.
No segmento de escritórios, a vacância física subiu para 31,4% no trimestre, reflexo direto da venda de ativos mais ocupados para o FII SC Renda Imobiliária, o que reduziu a base de ABL e aumentou o peso proporcional das áreas vagas remanescentes.
Ainda assim, a inadimplência líquida do segmento ficou negativa em 2,4% no acumulado do ano, beneficiada por forte recuperação de créditos — em maio, o indicador chegou a -13,2%.