Empresas que mantêm modelos de contratação estruturados para o mercado de uma década atrás vêm encontrando dificuldade para atrair e reter profissionais qualificados, sobretudo entre os mais jovens. A constatação aparece em levantamentos internacionais sobre trabalho e recrutamento, que associam a experiência oferecida ao candidato durante a seleção à decisão de seguir ou abandonar um processo, além de influenciar a imagem da marca empregadora.
Dados do LinkedIn indicam que a etapa de seleção deixou de funcionar apenas como filtro e passou a representar um ponto de contato decisivo entre organização e profissional. Segundo o estudo Global Talent Trends, a experiência vivida pelo candidato ao longo do processo pesa na escolha de permanecer ou desistir da vaga e repercute na percepção sobre a companhia como local de trabalho.
A revisão dos processos seletivos ocorre em um período de transformação das competências exigidas no trabalho. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta o pensamento analítico como a habilidade mais valorizada pelos empregadores, citada por sete em cada dez companhias, seguida por resiliência, flexibilidade e capacidade de adaptação.
O documento estima que 39% das competências consideradas essenciais devem mudar até 2030, o que amplia o peso da aprendizagem contínua e da curiosidade entre os critérios de contratação. O mesmo estudo projeta a criação líquida de 78 milhões de postos de trabalho até o fim da década e aponta que 77% dos empregadores pretendem investir na requalificação de suas equipes.
Barreiras no primeiro emprego
O descompasso é sentido com mais intensidade por quem tenta ingressar no mercado. Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que os jovens seguem entre os grupos com maior dificuldade de inserção profissional. Em 2025, o desemprego juvenil subiu para 12,4% e cerca de 260 milhões de jovens estão fora do mercado de trabalho e de programas de educação e formação profissional, situação identificada pela sigla em inglês NEET e conhecida no Brasil como nem-nem. O recorte de gênero acentua a desigualdade: mulheres representam apenas dois quintos do emprego global e têm 24% menos probabilidade do que os homens de participar da força de trabalho.
Tecnologia busca aproximar empresas e candidatos
Para Angelo Paceli, CEO da Better Solutions, o obstáculo não se resume à escassez de mão de obra qualificada, mas à maneira como as companhias ainda identificam talentos. Ele defende que o primeiro emprego deixe de ser tratado como função meramente operacional e passe a ser visto como oportunidade de formar profissionais alinhados à cultura e às necessidades do negócio.
“Durante muito tempo, o mercado buscou experiência para ocupar vagas. Hoje, as empresas mais preparadas estão aprendendo a identificar potencial. A experiência pode ser construída; capacidade de aprender, adaptação e vontade de evoluir são características cada vez mais estratégicas”, afirma o executivo.
Paceli defende que a modernização dos processos de seleção passa pelo uso de tecnologias capazes de tornar as etapas mais ágeis e organizadas, sem substituir o olhar humano e a decisão final dos profissionais. Nesse contexto, a Better Solutions desenvolveu a Webbie Recruiter.
A Webbie Recruiter transforma a jornada de recrutamento ao integrar inteligência artificial, análise de perfil e uma experiência conversacional mais fluida e personalizada. A plataforma conduz as interações de acordo com o perfil de cada candidato, identifica competências e o grau de aderência à oportunidade e disponibiliza ao RH informações mais estruturadas para apoiar decisões rápidas, estratégicas e alinhadas às necessidades da empresa.
“A tecnologia deve ampliar a capacidade do RH de identificar o potencial de cada pessoa. A Webbie coloca o candidato no centro da jornada, adapta a experiência às suas características e transforma cada interação em dados relevantes para a tomada de decisão. Dessa forma, as empresas podem ganhar precisão e escala nos processos seletivos, sem abrir mão do olhar humano, que deve continuar no centro de toda contratação”, ressalta Angelo Paceli.
O cenário indica que a atração de profissionais tende a favorecer organizações capazes de combinar tecnologia, experiência positiva do candidato e decisões mais humanizadas ao longo da seleção. Conforme as competências exigidas se transformam e o acesso dos jovens ao mercado permanece desigual, a revisão dos métodos de contratação desponta como fator determinante para formar as equipes que sustentarão os negócios na próxima década.
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