Principal conselheira econômica do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, a administradora Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, prometeu hoje que, se chegar ao Planalto, o senador promoverá um corte nas despesas públicas, mas não detalhou o impacto fiscal a ser buscado.
Ela também anunciou hoje a composição da equipe de especialistas que ela vai liderar na elaboração de propostas para a economia a serem aprofundadas no programa de Flávio.
Ao participar hoje do 25° Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, Daniella delineou as principais ideias de Flávio para a economia, como a promoção de um ajuste nas contas públicas, e aproveitou para informar que a equipe de elaboração do programa de governo do PL foi reforçada por “seis PhDs” em economia.
Em seguida, a assessoria de imprensa da campanha anunciou sete nomes que se juntarão à própria Daniella e ao ex-ministro Adolfo Sachsida, que são cotados para liderar a equipe econômica em um eventual mandato de Flávio.
Os nomes anunciados são:
- Alexandre Messa, doutor em Economia pela USP, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que foi da equipe econômica do ex-ministro Paulo Guedes no governo de Jair Bolsonaro (2019-2022)
- Alexandre Ywata, engenheiro pelo Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) e PhD em estatística pela Northwestern University (EUA), Engenheiro pelo ITA, que foi da equipe do ex-ministro Paulo Guedes
- Andrei Spacov, doutor em economia pela Universidade da Califórnia, em Berkely, com 22 anos de carreira no mercado financeiro
- Arilton Teixeira, doutor em economia pela Universidade de Minnesota (EUA), que tem carreira acadêmica
- Eduardo Cavendish Carvalho, pós-graduado em avaliação de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com carreira no mercado financeiro
- Myrian Prado, mestre em economia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi da equipe do ex-ministro Paulo Guedes
- Vladimir Kühl Teles, doutor em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), com carreira acadêmica e no mercado financeiro
No debate promovido pelo Lide, grupo empresarial criado pelo ex-governador de São Paulo João Dória, Daniella Marques afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro focará no ajuste fiscal, com enxugamento da máquina federal, o combate aos “privilégios” e “supersalários” e a digitalização dos serviços públicos.
Se Flávio conseguir impedir a reeleição de Lula, o plano é negociar com o Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) ainda este ano, durante a eventual transição de governo, a ser negociada pelos colégios de líderes no Congresso, para fazer os primeiros ajustes, a exemplo do que fez Lula em 2022.
A administradora, que foi assessora especial do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, afirmou que o plano de Flávio é repetir a redução da estrutura de governo feita por seu pai no poder, entre 2019 e 2022. Os mais de 30 ministérios que o governo Lula mantém hoje seriam reduzidos a algo entre 20 e 25 pastas em um governo de Flávio. E fez duras críticas à política econômica do governo de Lula:
– Existe um modelo (da atual política econômica) de fazer, fundamentalmente, expansão de caixa, com transferência de renda, crédito e aumento de arrecadação. Isso pode estimular a demanda por um tempo, mas existe uma pergunta que sempre volta: quem é que paga essa conta?
Apesar de defender um ajuste fiscal reiteradamente, Daniella evitou citar valores e estimativas de impacto. Nem mencionou medidas sobre gastos obrigatórios e indexados. Após o discurso, foi perguntada sobre eventual revisão na regra atual de reajuste do salário mínimo, que indexa a despesa bilionária do INSS com o reajuste do piso atrelado ao das aposentadorias. Ela respondeu que “a política é que vai decidir” sobre isso.
Daniella também ressaltou a oposição do candidato do PL a uma das bandeiras mais populares da campanha de reeleição do presidente Lula: a proposta de emenda constitucional do fim da escala 6×1 e da jornada máxima semanal de 44 horas, instituindo um novo limite de 40 horas em no máximo cinco dias por semana, garantindo dois de folga ao trabalhador.
Para a auxiliar de Flávio, que já se posicionou contra a proposta alinhando-se às queixas de entidades empresariais, trata-se de uma iniciativa demagógica, que não trará benefícios para as famílias brasileiras.
– É um debate populista, inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser. É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa (com a redução da jornada) enquanto quem produz não vai ter condição (de arcar com o aumento do custo de mão de obra). Vai ter um custo enorme em relação a isso – disse Daniella.
Ela defendeu um modelo de livre negociação entre empregados e empregadores.
– O problema não é a 6×1. O problema é a falta de liberdade do cidadão para discutir o seu contrato com o empregador, sem o Estado interferir. Então, somos a favor da liberdade e da ampliação dessa liberdade — afirmou a administradora, defendendo a livre negociação. – Deveríamos ter todas as jornadas permitidas, cabendo ao trabalhador e ao empregador decidirem de que forma eles querem construir os seus contratos