A TV Globo deu início, ontem, à série de entrevistas diárias com os candidatos à Presidência da República, transmitidas ao vivo sempre após a exibição do Jornal Nacional. Até sábado, os seis postulantes mais bem colocados na última pesquisa Quaest serão sabatinados pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. O primeiro entrevistado foi o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e, nesta terça-feira, foi a vez do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
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Na sabatina de hoje, Caiado teve uma performance descrita como “enrolada” e “inconsistente” pelos colunistas do GLOBO, o que rendeu a ele uma nota média 1,4 numa escala que vai de 1 a 5. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor a atuação do candidato. A nota final é calculada a partir de uma média das pontuações atribuídas por cada colunista ao entrevistado. Ontem, o desempenho de Zema foi avaliado com uma nota média 2.
Depois de Caiado, Renan Santos (Missão) será o entrevistado da quarta-feira, dia 26. Na sequência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 27; Flávio Bolsonaro (PL) no dia 28; e Augusto Cury (Avante), no dia 29. A ordem foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Veja a avaliação de cada colunista
Bernardo Mello Franco (Nota 1): “Caiado apelou à velha tática de falar muito para não responder nada. Enrolou sobre a promessa de anistia aos golpistas e não soube explicar por que nem seus aliados de partido o apoiam. Evitou se comprometer com medidas impopulares, mas derrapou no elitismo ao chamar trabalhadores que recebem salário mínimo de “pobres coitados””.
Merval Pereira (Nota 2): “Caiado não conseguiu se impor como alternativa à polarização”.
Míriam Leitão (Nota 1): “O pior do candidato Ronaldo Caiado foi o que ele disse sobre o fiscal. Ao falar sobre gasto público, demonstrou uma ignorância abissal ao propor que a despesa seja “limitada” a 50% do PIB, o que significa, na prática, dobrar os gastos previstos atualmente no Orçamento. Caiado não respondeu às perguntas feitas, e usou a técnica de empilhar problemas do país para ocupar o tempo. A única proposta concreta foi anistiar os golpistas de 8 de janeiro. Demonstrou total despreparo para ser candidato e perdeu a oportunidade da entrevista”.
Pablo Ortellado (Nota 1): “Caiado veio muito mal preparado. Foi evasivo, fugiu das perguntas falando de coisas sobre as quais não foi perguntado e se confundiu quando tentou explicar suas propostas. A confusão mais grave foi quando disse, várias vezes, que a despesa do governo deveria ser limitada a 50% do PIB quando parece ter querido dizer que o aumento da despesa passaria a ser limitado à inflação mais metade do crescimento do PIB. Caiado chegou como o ex-governador bem avaliado e com bons resultados, mas não conseguiu defender a imagem de bom gestor ao ser incapaz de detalhar suas propostas. Propõe ser alternativa à polarização, mas sua proposta mais visível é tirar os bolsonaristas condenados por golpe da cadeia”.
Renato Meirelles (Nota 1): “Assim como Zema, Caiado já foi visto como queridinho da Faria Lima e possível terceira via. Hoje, porém, não respondeu às perguntas nem conseguiu apresentar propostas concretas para a vida das pessoas. Uma terceira via competitiva precisa oferecer mais do que antipetismo. Precisa mostrar, com clareza, que país quer construir”.
Vera Magalhães (Nota 2): “Quando dois ou três falam, ninguém entende. A entrevista foi confusa, dura de acompanhar. Caiado parecia achar que falando em cima dos entrevistadores iria escapar das inconsistências das suas respostas. Só afugentou o espectador/eleitor”.
Fabio Graner (Nota 1): “O Ronaldo Caiado da entrevista ao JN ficou distante daquele do debate presidencial de domingo, quando mostrou experiência e mais clareza. Pareceu atrapalhado, fugiu de explicar suas propostas de um jeito que indicou falta de conhecimento sobre seu próprio plano combinado com medo de repercussões negativas. Conseguiu ser menos convincente que Romeu Zema”.
Thomas Traumann (Nota 2): “Falando pela primeira vez a dezenas de milhões de eleitores, Ronaldo Caiado errou ao prometer limitar o orçamento a 50% do PIB (o que dobraria os gastos públicos atuais), confundiu o eleitor ao comparar a anistia a Jair Bolsonaro com a anulação dos processo de Lula e tentou convencer o eleitor que a sua simples presença na Presidência seria suficiente para resolver os problemas de segurança pública, gestão do Estado e crise fiscal”.