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quinta-feira, agosto 27, 2026

Minerais críticos devem atrair US$ 21,3 bi até 2030

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Pablo Cesário, do Ibram: necessidade de mais mapeamento geológico — Foto: Divulgação

O Brasil tem o desafio de não apenas se converter em um dos principais produtores de minerais críticos do mundo, mas numa plataforma alternativa e confiável de suprimento, processamento e, eventualmente, transformação desses elementos. “A grande oportunidade brasileira, portanto, não é simplesmente produzir mais”, afirma Daniel Martins, sócio e líder do setor de energia da PwC Brasil.

Projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que o país tem cerca de 10% das reservas globais provadas desses minerais, com destaque para nióbio (primeiro no mundo), terras raras e grafita (segundo) e níquel (terceiro), cruciais para a transição energética. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) estima que, até 2040, a demanda mundial por lítio, por exemplo, pode crescer 42 vezes, e a de grafita, cobalto e níquel entre 20 e 25 vezes.

“Esse cenário reforça a importância de ampliar investimentos em mapeamento geológico, pesquisa mineral e exploração responsável”, afirma Pablo Cesário, diretor-presidente do Ibram. De acordo com ele, como apenas cerca de 27% do território brasileiro foram adequadamente mapeados para o setor mineral, o potencial do país pode ser muito maior do que o conhecido.

Martins, da PwC, lembra que elementos como cobre, silício, lítio e terras raras passaram a ser disputados por novas cadeias produtivas, como inteligência artificial e data centers. “Defesa e segurança nacional também competem por vários desses recursos, e Estados Unidos, Europa e Ásia estão promovendo políticas de reindustrialização que ampliam ainda mais essa competição”, diz.

Entretanto, a oferta não acompanha essa demanda, colocando em dúvida o novo eixo da geopolítica e da economia global. “Colocar uma nova mina em produção pode levar duas décadas ou mais entre descoberta, estudos, licenciamento, construção e operação. Além disso, o refino permanece extremamente concentrado, sobretudo na China”, acrescenta o sócio da PwC.

Cesário, do Ibram, avalia que até 2030 o Brasil deve atrair investimentos de US$ 21,3 bilhões para a exploração de minerais críticos. Mas antes precisa adequar gargalos como tecnologia, infraestrutura, regulação e desenvolvimento de ecossistemas. “O volume de investimentos depende fundamentalmente da ambição industrial que o Brasil escolher”, lembra Martins.

Nessa onda do “novo petróleo” da transição energética, a Sigma planeja triplicar sua produção de óxido de lítio, cuja capacidade instalada anual é de 270 mil toneladas por ano. O produto é destinado para a fabricação de materiais para baterias de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, e eletrônicos e outras aplicações industriais. Uma nova planta adicionará mais 250 mil toneladas/ano. Outras duas unidades, com investimentos de aproximadamente US$ 100 milhões cada, devem elevar a produção de concentrado de óxido de lítio para 770 mil toneladas por ano.

Já o programa de ampliação de exposição aos minerais críticos (cobre e níquel, principalmente) da Vale Base Metals prevê investimentos que permitirão quase dobrar sua produção de cobre, para cerca de 700 mil toneladas/ano até 2035. A companhia não fala sobre volume de recursos, mas informa que entre as previsões está a nova mina de Bacaba em Canaã dos Carajás (PA),cuja projeção é de cerca de 50 mil toneladas anuais.

O Ibram lembra que as maiores reservas de lítio estão no Vale do Jequitinhonha (MG). O nióbio é produzido principalmente em Minas Gerais e Goiás, que, assim como o Amazonas e a Bahia, têm ocorrências relevantes de terras raras. Já o níquel é produzido em Goiás, Pará e Bahia, e a grafita se concentra principalmente em Minas Gerais e Bahia. Estudos recentes mostram que esses minerais poderiam injetar cerca de R$ 192 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do país e gerar cerca de 750 mil empregos até 2050.

[Fonte Original]

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