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domingo, setembro 6, 2026

Onde está a arte brasileira? SP-Arte Rotas chega à sua quinta edição e questiona noções arbitrárias de centro e periferia na arte – Revista Cult

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“Nenhum pensamento ou reflexão sobre a cultura brasileira pode ser completo sem a presença de múltiplas perspectivas”, argumenta em entrevista à Cult o curador e pesquisador carioca Bernardo Mosqueira, ex-integrante da equipe curatorial do New Museum, em Nova York. Sob sua direção artística, a SP-Arte Rotas chega à quinta edição.

No bairro da Vila Leopoldina, longe dos grandes pilares modernistas do prédio da Bienal, onde ocorre a já tradicional SP-Arte, Rotas surge com o propósito de aproximar o mercado paulistano de artistas e galerias de outras regiões do país, refletindo e promovendo mudanças no mercado de arte brasileiro: “dos anos 2010 para cá, houve um fortalecimento do mercado de arte fora do eixo Rio-São Paulo como consequência do desenvolvimento econômico e cultural dessas regiões e do crescimento do fenômeno dos advisors também trabalhando regionalmente”, explica Mosqueira.

Nesse contexto – ele argumenta –, questionar categorias arbitrárias e disputar ideologicamente “o que é, onde está e com o que se parece a arte brasileira” são questões importantes para a feira, que reúne tanto espaços tradicionais de exposição, como as galerias Almeida & Dale, DAN e Gomide&Co, quanto espaços de criação coletiva que reúnem artistas em ascensão.

Entre os expositores da feira, o Instituto Sertão Negro, sediado em Goiânia, apresenta os trabalhos dos artistas da Associação Jatobá Nascente, que propõem um modelo de emancipação artística baseado na autonomia coletiva, com ateliê, moradia, educação e gestão compartilhada.

Também unindo novas narrativas e territorialidades à arte, a Aura Galeria pretende conectar floresta, sertão e quilombos com o projeto Rotas-Roots-Rizomas, um percurso que reúne perspectivas de nove artistas, de nove cidades diferentes, investigando como paisagens brasileiras, sejam elas rurais ou urbanas, são atravessadas por cosmologias, ancestralidades e conflitos que se conectam para além das fronteiras geográficas.

Entre os nove artistas em exposição pelo projeto Rotas-Roots-Rizomas, a paraense Uýra argumenta que a região Norte do país ainda não ocupa um lugar no mercado de arte brasileiro: “Quando se conta na mão o número de artistas amazônicos presentes nas grandes feiras, ainda não podemos afirmar existir um lugar, pelo menos um lugar digno para nós. A maior região do país e seus ímpares artistas, em 2026, permanecem sendo o ‘outro’, longe demais do olhar dos curadores, colecionadores e galeristas que possuem na mão o mercado de arte brasileiro.”

Para ela, enquanto produto de um mundo muito mais plural e diverso que no passado, a arte não pode continuar sendo uma manifestação associada exclusivamente ao Velho Mundo europeu – “os mundos estão começando a falar por si mesmos, e temos muito pela frente”.

Nesse mesmo sentido, Mosqueira assinala que categorias arbitrárias, “portanto, falhas e injustas”, de central e periférico não servem de medida para orientar miradas sobre a produção artística atual.

“Rotas não nasce do interesse de reunir representantes de produções periféricas no centro” – ele explica – “Rotas nasce do reconhecimento de que o mercado de arte, sobretudo em São Paulo, ainda tem uma grande dificuldade de reconhecer o valor e conhecer a riqueza das produções culturais das regiões do país em toda sua qualidade, singularidade, sofisticação, força e relevância.”

Para ele, Rotas tem a capacidade de disputar imaginários e cosmogonias do mercado da arte, instituições, pesquisadores e dos próprios artistas no sentido de produzir uma presença maior para artistas antes invisibilizados: “há muito tempo que certas feiras aprenderam que não são apenas lugares de comercialização de objetos, mas que são lugares também de aprendizado, de educação, de encontros importantes, de disputas.”

Nesse sentido, com o dobro de galerias internacionais que no ano passado, a feira também expande seus horizontes para além das fronteiras geográficas do país.

A feira abriu as portas para o público geral na quinta-feira, 27, após uma inauguração fechada para convidados, e permanece aberta até o domingo, dia 30. Os ingressos saem a partir de R$ 60 (meia entrada).

Endereço: Av. Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo – SP



[Fonte Original]

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