Refinaria de Amuay, da Petróleos de Venezuela S.A., empresa estatal que controla as maiores reservas de petróleo da atualidade (GÉNESIS GARCÍA/Wikimedia Commons)
Enquanto um “giro ecológico” tem marcado a teoria crítica do Norte global nas últimas décadas, o compromisso com a “natureza”, para além de um mero pano de fundo, tem uma longa história na produção cultural latino-americana. Como parte de uma teia da vida “mais que humana”, textos indígenas escritos antes da Conquista apresentam inúmeros agentes não humanos, às vezes como superiores a humanos imperfeitos. Assim, os esforços coloniais na América para separar viventes não humanos de seus entrelaçamentos ecológicos e relegá-los a uma posição coadjuvante depararam com contradições. Um exemplo são as cartas de Colombo, nas quais o conquistador descreveu, com não pouca apreensão, a necessidade de dominar à força os carismáticos cursos de água do continente. Atualmente, a crise ambiental global se ancora em um posicionamento da natureza como passiva, seja como cenário, seja como recurso explorável, uma ontoepistemologia violentamente imposta durante a colonização europeia e reforçada por uma modernização orientada para a exportação e outros empreendimentos capitalistas que fizeram da América Latina a fronteira de commodities do mundo. Ao mesmo tempo, como observa Jens Andermann, a recorrência de inundações terríveis, secas devastadoras, rios represados e ambientes tóxicos torna cada vez mais difícil relegar o mundo não humano ao segundo plano. O autor de Entranced Earth: Art, Extractivism, and the End of Landscape (2023) argumenta que a paisagem estética que deixa a atividade humana fora de quadro chegou ao fi
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