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domingo, setembro 6, 2026

OpenAI Confirma Aposta em Robôs Humanoides e Possível Mudança na Disputa Pela IA Física

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A OpenAI está construindo um robô humanoide, segundo confirmação do CEO Sam Altman no podcast Sources. Altman foi questionado se o foco da empresa em robótica significava que ela estava buscando um humanoide ou uma máquina para data centers, e como resposta declarou que “definitivamente faremos um humanoide. Também faremos outros formatos.”

Entretanto, Altman parece achar que construir corpos de robôs é mais fácil do que criar uma ótima IA física para controlá-los. “Acredito que tudo isso é menos importante do que descobrir como funciona o cérebro que faz o robô funcionar”, acrescentou.

Este é um passo significativo no campo dos robôs humanoides e no campo da inteligência artificial.

Oficialmente, a OpenAI possui uma das duas empresas com maior capital, poder computacional e credibilidade em inteligência artificial, decidindo que possuir o cérebro não é suficiente e que construir corpos de robôs físicos é o foco essencial.

É também um aviso para centenas de empresas de robótica. Muitas delas estão comprando ou realizando parcerias para obter pelo menos parte de seus cérebros físicos de IA e robôs. Essa estratégia está por trás de iniciativas como o projeto de referência GR00T, da Nvidia, o uso do Gemini Robotics nos robôs da Apptronik e as soluções de IA integradas ao hardware da Boston Dynamics. A Skild, por sua vez, aposta em um único modelo de IA capaz de controlar diferentes tipos de robôs..

Se os melhores fornecedores de inteligência artificial também fabricam corpos, o modelo de parceria se torna muito mais desafiador. A Figure AI percebeu isso com antecedência. A OpenAI investiu US$ 675 milhões na rodada de financiamento da Figure em 2024, mas o CEO da Figure, Brett Adcock, encerrou a colaboração um ano depois para desenvolver a plataforma internamente.

A defesa do fator de forma humanoide

O raciocínio de Altman em optar por robôs com formato humano é bastante comum. Segundo ele, vivemos em um mundo humano, então é importante que pelo menos alguns de nossos robôs tenham formato semelhante ao de humanos.

“O mundo é em grande parte projetado para as pessoas”, disse Altman. “Então, se você pensar na capacidade de abrir uma porta, digitar em um computador, operar uma máquina, limpar uma cozinha e muito mais, podemos proporcionar essa realidade, e quero garantir que continuemos a construí-la para as pessoas. Portanto, reproduzir esse formato parece uma boa ideia.”

Sobre a possibilidade de isso resultar em um robô em cada casa, ele se mostrou mais cauteloso, embora, no fim das contas, otimista em relação aos humanoides domésticos.

“Não acho que essa seja a primeira coisa mais importante a se fazer”, assegurou, reconhecendo que infraestrutura e manufatura vêm em primeiro lugar. “Mas sim, um dia. Acho que todos deveriam ter um robô pessoal”, afirmou.

Isso está em consonância com as previsões recentes de Zhaopeng Chen, CEO da Agile Robots, e do Elon Musk, CEO executivo da Tesla. Chen afirmou recentemente que a robótica humanoide poderá, eventualmente, se tornar dez vezes maior que a indústria automobilística atual.

Se as famílias possuem em média um ou dois carros, no futuro, ele acredita que cada indivíduo poderá ter um robô humanoide. Já Musk disse aos líderes do G20 que poderá haver um bilhão de robôs operando no planeta dentro de 10 anos.

Altman pode estar certo ao afirmar que o cérebro é a parte mais difícil.

Gill Pratt, CEO do Instituto de Pesquisa da Toyota e ex-chefe do Desafio de Robótica da DARPA, afirmou que apenas metade do cérebro foi desvendado. A área inexplorada corre o risco de entrar em um profundo abismo de desilusão se não for descoberto o raciocínio e os modelos do mundo.

Pelo menos alguns investidores concordam. A Skild AI levantou US$ 1,4 bilhão em janeiro, atingindo uma avaliação acima de US$ 14 bilhões, liderada pelo SoftBank, com participação da Nvidia, Bezos Expeditions, Samsung e LG, com a promessa de construir um cérebro “omnicorporal” que, segundo o cofundador da Skild, Deepak Pathak, “pode ​​controlar robôs que nunca foram treinados”.

A Physical Intelligence está adotando uma estratégia semelhante com o π0.7 . O Google DeepMind lançou o Gemini Robotics 2 em 30 de julho, executado em hardware da Apptronik, Boston Dynamics e Franka.

E em 31 de maio, no mesmo dia em que Altman anunciou que a OpenAI Robotics estava contratando, a Nvidia publicou um projeto de referência aberto de um robô humanoide construído sobre um chassi da Unitree Robots.

Mas a Nvidia, a DeepMind e a Skild não estão fabricando robôs humanoides, nem robôs de qualquer tipo. Para elas, o robô em si é problema de outra pessoa, e elas estão focando apenas na inteligência.

Existe um contra-argumento

Lembram da previsão de Musk sobre um bilhão de robôs? A Tesla começou a produzir seu robô humanoide Optimus na fábrica de Fremont por volta de agosto, cinco anos após o anúncio do programa, em linhas de produção adaptadas dos modelos S/X. Mas nenhuma unidade foi entregue a consumidores.

Em janeiro, Musk admitiu que os robôs Optimus não estavam realizando trabalho útil dentro das fábricas da Tesla e como resultado dessa realidade, a empresa não atingiu a meta de entregar cerca de 10.000 unidades em 2025.

Na última teleconferência sobre resultados financeiros, o CEO da Tesla declarou que o Optimus é “o produto mais difícil de escalar a produção”, acrescentando que tudo no robô é novo, exigindo uma cadeia de suprimentos completamente nova.

Isso significa que um dos fabricantes de hardware complexo mais competentes do mundo está dizendo que construir corpos de robôs é uma tarefa brutal.

Os dados da McKinsey colaboram com essa afirmação. Os atuadores representam de 40% a 60% do custo total dos materiais, já os acionamentos harmônicos e os fusos de rolos de precisão enfrentam uma forte concentração de fornecedores, e a China controla aproximadamente 69% da mineração de terras raras e cerca de 90% do processamento de ímãs. A construção de robôs avançados sem fornecedores chineses custaria cerca de US$ 131.000, contra uma lista de materiais de US$ 46.000 , segundo estimativas da OpenMind.

Mas é difícil criar uma IA física excelente sem também criar robôs de verdade.

A OpenAI encerrou seu projeto de robótica em 2021 por não conseguir obter dados suficientes. Construir e operar seus próprios robôs é o caminho mais direto para aprimorar a IA física. Robôs humanoides não são apenas um produto. São dispositivos de coleta de dados, algo que a Hexagon Robotics, que tem um contrato para instalar 1.000 robôs Aeon nas fábricas da Schaeffler, conhece muito bem.

A grande vantagem dos dados de treinamento de robôs provenientes dos próprios robôs é que eles vêm acompanhados de todo o conjunto de informações sensoriais do robô: o que ele estava fazendo, a força com que segurava o objeto, o que se movia e assim por diante. Como Arnaud Robert, presidente da Hexagon, me disse na quinta-feira (3), dados de treinamento de robôs de alta qualidade são essenciais.

Brett Adcock, CEO da Figure AI, apresentou um argumento semelhante quando a empresa encerrou sua colaboração com a OpenAI em fevereiro de 2025: “Descobrimos que, para resolver a IA incorporada em escala no mundo real, é preciso integrar verticalmente a IA robótica. Não podemos terceirizar a inteligência artificial pelo mesmo motivo que não podemos terceirizar nosso hardware.”

As vagas de emprego da OpenAI apresentam um cenário ligeiramente diferente.

Se o principal é o cérebro e o corpo é o secundário, o caminho é óbvio: licencie um chassi, envie seu modelo e ignore o árduo processo de fabricação. A Nvidia lhe fornecerá um projeto de referência gratuitamente; basta inserir sua IA.

Mas não é exatamente isso que a OpenAI está fazendo.

A página de carreiras da empresa lista atualmente 19 vagas abertas na área de robótica, todas em São Francisco, um aumento em relação às 11 vagas existentes quando a divisão foi lançada no final de maio.

Quatro dessas vagas são específicas para atuadores, além de uma vaga dedicada a gerente de programa técnico. A empresa busca especialistas em design de atuadores, design eletromagnético de atuadores, design de engrenagens de atuadores e infraestrutura de testes.

Há também uma vaga de design que inclui o desenvolvimento completo de atuadores eletromecânicos personalizados, motores, transmissões, sensores e arquitetura térmica, otimizando a densidade de torque e a capacidade de fabricação, ao trabalhar com parceiros de manufatura em projetos prontos para produção.

As vagas anunciadas também incluem engenheiro de layout de PCB, líder de simulação térmica, desenvolvedor de firmware, técnico de prototipagem, gerente de estoque e gerente de commodities.

Os atuadores são um dos componentes mais caros e com maior restrição de fornecimento em um humanoide. A OpenAI está praticamente comprando a expertise que Musk diz ser o gargalo. E Altman está construindo a base de uma empresa de hardware.

O que a OpenAI não disse.

Não há data de lançamento, meta de unidades, parceiro de fabricação definido ou protótipo. Altman deu à TIME uma previsão para o lançamento do dispositivo de mesa Jony Ive no início de 2027. Porém, para o projeto humanoide da OpenAI, a resposta foi apenas um “definitivamente”.

Portanto, há espaço para algum ceticismo aqui.

Mas os comentários de Altman precisam chamar a atenção de todos na área da robótica. A OpenAI, criadora do ChatGPT, é a principal empresa responsável pela ampla disseminação da IA ​​em nosso mundo nos últimos anos. A empresa acumulou muita experiência e credibilidade nesse campo, e sua expansão para a robótica certamente preocupa a concorrência.

Mas eles não estão diminuindo o ritmo.

As remessas globais de robôs humanoides atingiram aproximadamente 19.100 unidades no primeiro semestre de 2026, um aumento de 272% em relação ao ano anterior . Os fornecedores chineses respondem por mais de 97% do total, e os fabricantes de robôs americanos e europeus estão lançando modelos mais novos e impressionantes.

Nenhum deles está esperando pelo cérebro de ninguém. Nem que a OpenAI roube o almoço deles em termos de hardware.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

[Fonte Original]

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