Candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) se ausentou de uma sabatina promovida na última sexta-feira em Florianópolis, e ampliou as faltas em entrevistas no estado. Sem comparecer, o ex-vereador do Rio de Janeiro foi alvo de críticas do apresentador do programa da Jovem Pan Floripa, Emanuel Soares, destacando que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “não comparece para entrevista nenhuma (….) sem falar por que quer ser senador pelo nosso estado”, e afirmou que ele pode ser “derrotado nas urnas”.
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— Nós esperávamos aqui nesta sexta-feira a entrevista de Carlos Bolsonaro. Ele simplesmente não apareceu. E não é só aqui: ele não comparece para entrevista nenhuma, para sabatina nenhuma, para debate nenhum — disse o apresentador em transmissão, com uma cadeira vazia ao lado.
— A gente fica triste, lamentamos a ausência do candidato. (…) Ele perdeu uma grande oportunidade de explicar o por quê gostaria de ser candidato ao Senado por Santa Catarina. Seria importante para explicar, diminuir as rejeições em Santa Catarina — declarou, também apontando que a deputada Carol de Toni, que compõe a chapa ao Senado no PL, compareceu ao encontro. —Assim tem sido a campanha do Carlos Bolsonaro: sem falar de Santa Catarina e sem falar por que quer ser senador pelo nosso estado.
Segundo o apresentador, a entrevista estava marcada desde julho, e a campanha do candidato só informou a ausência com o programa no ar. Carlos Bolsonaro esteve em Brasília no fim de semana para visitar o pai, Jair Bolsonaro.
Desde que foi anunciado como candidato, o ex-vereador do Rio recebe críticas de parte da classe política catarinense, que vê o político como “forasteiro” e viu a transferência para o estado como “oportunismo”. Carlos foi lançado como parte da chapa de reeleição de Jorginho Mello (PL), junto de Caroline de Toni, que chegou a ameaçar deixar o PL no início deste ano caso não fosse indicada para o Senado. A escolha por Carol escanteou Esperidião Amin (PP) da composição, que decidiu manter a candidatura à reeleição, mas fechou aliança com o adversário do governador, o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD).
O início da campanha na TV também virou alvo de críticas, por não citar Santa Catarina durante a primeira inserção na propaganda eleitoral gratuita. Na peça, o ex-vereador pediu voto ao irmão, Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e relembrou detalhes da infância e da convivência com o pai, mas não citou nominalmente o estado. Após a má repercussão, o ex-vereador apareceu na inserção seguinte com uma bandeira do estado ao fundo de seu discurso, e citando Santa Catarina nominalmente quatro vezes.
Opositores também argumentam que, nas últimas semanas, ele cumpriu poucas agendas no estado, trocando-o por São Paulo e pelo Rio de Janeiro, onde publicou uma foto ao lado da mãe, Rogéria Bolsonaro, e escreveu na legenda que estava “no melhor lugar do mundo”.
Os episódios têm sido usados como munição contra Carlos por adversários como o vereador Afranio Boppré (Psol), que, em sua inserção na TV no primeiro dia do horário eleitoral, afirmou que os eleitos ao Senado por SC não poderiam fazer parte de “uma família do Rio de Janeiro que vive nas páginas dos jornais”. Nas redes sociais, os casos também têm sido explorados tanto por perfis de esquerda como da direita não bolsonarista.
Esperidião Amin, que em tese disputa votos com Carlos em grupos similares, vem apostando na vinculação direta ao estado. Ex-prefeito de Florianópolis e ex-governador, o atual senador e candidato à reeleição se descreve, por exemplo, como “catarinense raiz”, principal lema da campanha. Carlos, por sua vez, argumenta que disputará a vaga no Congresso “pelo Brasil, pela liberdade e pelo futuro”.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou uma disputa acirrada na direita pelas duas vagas ao Senado. No levantamento, o senador Esperidião Amin (PP) aparece numericamente à frente, com 19% das intenções de voto, seguido do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), com 16%, e da deputada federal Caroline de Toni (PL), com 12%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, Amim está em empate técnico com Carlos.