Um veículo elétrico, sem piloto, capaz de decolar na vertical e pulverizar lavouras a um custo até vinte vezes menor que o de uma aeronave convencional: foi essa a promessa apresentada ao mercado brasileiro durante a 86ª edição da Expogrande 2026, em Campo Grande (MS). O protagonista é o Skyros, batizado por seus criadores de maior carro voador agrícola autônomo do mundo, um anúncio que, segundo a organização do evento, foi um dos mais comentados da feira.
O projeto é assinado por Dakila Pesquisas, think tank sediado em Mato Grosso do Sul, em parceria com a empresa Vertical Connect. À frente da iniciativa está Urandir Fernandes de Oliveira, presidente de Dakila, que classificou o lançamento como o ponto alto do evento. Em suas palavras, a apresentação do veículo foi “a cereja do bolo do evento”, tratando-se de uma tecnologia concebida para gerar impacto com eficiência, sustentabilidade e inteligência aplicada.
O Skyros é um eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, projetado para operar sem piloto diretamente no campo. Segundo Dakila, o equipamento tem aproximadamente cinco metros de envergadura, pesa 700 quilos, conta com propulsão totalmente elétrica e capacidade para transportar até 400 litros de insumos agrícolas. Uma versão anterior do projeto, apresentada em novembro de 2025 no Recanto Havalon/Zigurats, a cerca de 110 km de Campo Grande, já contava com registro na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Na comparação direta com aeronaves agrícolas tradicionais, os números chamam atenção. Enquanto os modelos convencionais cobrem cerca de 350 hectares por dia e custam até US$ 600 por hora de voo, o Skyros alcança 450 hectares diários, com custo operacional entre US$ 30 e US$ 34 por hora, mantendo alta produtividade com um impacto ambiental menor.
Repercussão imediata no mercado
O interesse dos produtores rurais foi rápido. Durante os dias de feira, o veículo gerou cerca de 80 pedidos de compra, número que reforça a demanda por soluções que unam produtividade, economia e inovação tecnológica no setor. O desempenho também chamou atenção de especialistas do setor de mobilidade aérea presentes no evento.
Carlos Mello, sócio da Vertical Connect e autor do livro “Aviação Elétrica – Os desafios do mercado eVTOL no Brasil e no mundo”, lançado durante o evento, destacou que o Skyros reforça o papel estratégico do agronegócio brasileiro no cenário global da mobilidade aérea. Segundo ele, os próximos passos do projeto envolvem a intensificação dos testes de voo e o avanço no processo de certificação junto aos órgãos reguladores.
A feira reuniu, no mesmo espaço expositivo, produtores rurais, investidores e empresas de tecnologia interessados em conhecer de perto o funcionamento do veículo. Em fotos registradas durante os dias de evento, Urandir Fernandes de Oliveira aparece ao lado do Skyros e também posando com integrantes da equipe da Vertical Connect, reforçando o caráter de parceria técnica por trás do projeto.
Muito além da pulverização
Os planos de Dakila para o Skyros não se limitam ao uso agrícola. Urandir Fernandes de Oliveira já projeta uma segunda fase para o veículo: “O objetivo é viabilizar o uso do veículo como um novo modal de transporte, resgates e combate a incêndios”, afirmou. A empresa também já trabalha na expansão do Skyros para o transporte de passageiros, com foco em regiões de difícil acesso, como a Amazônia, cenário em que a mobilidade aérea autônoma pode reduzir distâncias hoje dependentes de estradas precárias ou de longos trajetos fluviais.
Se os testes avançarem no ritmo esperado, o Brasil pode se consolidar não apenas como protagonista na produção agrícola mundial, mas também como referência em tecnologia aeroespacial voltada ao campo. Trata-se de um veículo concebido, desenvolvido e testado em solo brasileiro, mas pensado para responder a demandas globais de eficiência, sustentabilidade e inovação do canavial à floresta amazônica.