Depois de oscilar próximo à estabilidade logo após a abertura dos negócios, o Ibovespa adotou uma dinâmica negativa, que se manteve ao longo do pregão. No fim do dia, o índice encerrou em queda de 0,99%, aos 183.966 pontos, perto da mínima de 183.835 pontos, sem o apoio da maior parte das blue chips.
No começo da tarde, o índice até chegou a se afastar das mínimas após a notícia de que Estados Unidos e Irã estudam uma saída gradual para a guerra, que envolveria a reabertura do Estreito de Ormuza, segundo a Reuters, mas o alívio durou pouco.
Ao longo da tarde, o Ibovespa voltou a piorar, à medida que investidores repercutiram notícias de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de uma ligeira diminuição da diferença entre o candidato bolsonarista e o petista em plataformas de mercado preditivo, que são proibidas no Brasil.
Participantes do mercado também mencionaram que os rumores de que o governo proibirá as atividades de casas de apostas pode ter elevado o mau humor entre agentes financeiros. Na visão deles, a medida poderia ter implicações eleitorais, ao ajudar a atrair votos para o petista, em virtude de boa parte da população condenar as bets.
O movimento na bolsa local também foi negativo em virtude da queda mais intensa de blue chips de bancos. Diante da percepção de leve piora do “trade eleitoral”, as ações ON do Banco do Brasil lideraram as perdas, no valor de 2,84%. Outros papéis de instituições financeiras também cederam, com exceção das units do Santander, que subiram 0,51%.
O dia também foi negativo para as ON da Vale, que recuaram 1,15%, ampliando as perdas da sessão anterior.
No cenário doméstico, as atenções se concentraram no quadro eleitoral. A revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro provocou uma piora nos ativos locais. De acordo com a reportagem do Estadão, os registros mostraram que o senador tentou falar com o ex-banqueiro nos quatro dias anteriores à prisão dele. A assessoria de Flávio foi procurada pelo jornal, mas não se manifestou.
Mesmo diante do aumento da volatilidade na bolsa local, participantes do mercado ainda esperam uma alternância no poder Executivo. O CEO e CIO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, afirmou nesta manhã que considera razoável atribuir 60% de chance de vitória ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de outubro. A estimativa, baseada em agregadores de pesquisas eleitorais acompanhados pela gestora, está em linha com os números de plataformas de mercados preditivos.
“Esses 60/40 para o Flávio me parecem razoáveis”, afirmou Stuhlberger durante painel da Monte Bravo Experiência. Segundo Stuhlberger, uma vitória do senador provocaria uma “porrada insana” na bolsa.
Excluídas empresas de commodities, como Petrobras e Vale, a bolsa negocia a um P/E (preço sobre lucro) de 10,5 vezes, afirma o executivo. O múltiplo está próximo da faixa de 10 a 11 vezes observada, segundo ele, na média dos governos do PT.
Stuhlberger vê, porém, uma diferença relevante entre o potencial de alta e o risco de queda da bolsa, a depender do resultado da eleição. “Se houver uma recessão, os lucros caem. Mas, enquanto isso não acontece, a bolsa parece ter, em reais, um potencial de queda de 10% a 12% [em caso de vitória de Lula] e de alta de 30% [se Flávio ganhar]”, afirmou.
Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 19,0 bilhões, chegando a R$ 26,9 bilhões na B3. Já em Nova York, os principais índices fecharam mistos: o Nasdaq e o S&P 500 encerraram estáveis (+0,01%) e (-0,02%), respectivamente, enquanto o Dow Jones recuou 0,31%.