Flávio mira voto útil na reta final

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro foi às redes sociais fazer um apelo aos eleitores dos candidatos à Presidência que estão no terceiro pelotão das intenções de voto.

A ação faz parte de uma ofensiva maior pelo voto útil nos últimos dias, colocada em campo por Flávio e aliados, inclusive pelo governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas:

— Vamos olhar a coisa com pragmatismo. Não dá mais para ter o PT. Está na hora de todo mundo vir com Flávio.

A possibilidade de a eleição presidencial ser resolvida já no primeiro turno passou a ser mais debatida nas campanhas em razão da disputa acirrada entre Lula e Flávio e da perda de musculatura dos demais candidatos. O eleitor anteciparia para o dia 4 de outubro a discussão sobre “evitar o mal maior”, feita geralmente no segundo turno. Para que isso ocorra, no entanto, o vencedor tem de levar metade mais um dos votos dados aos candidatos, excluindo os brancos e nulos. Os únicos exemplos desse feito desde a redemocratização foram em 1994 e 1998, com Fernando Henrique Cardoso.

Flávio aposta na tese de que é o principal destinatário dos votos dos demais candidatos, porque todos eles, em maior ou menor grau, estão mais à direita. Além disso, aposta na abstenção no dia da eleição, tradicionalmente maior no eleitor de menor renda e menor escolaridade, e no antipetismo na reta final, mencionado ontem pelo professor Mauricio Moura em sua coluna no GLOBO.

As pesquisas mostram que as candidaturas de Cury, Caiado, Renan Santos e Zema têm potencial de voto maior entre bolsonaristas e eleitores da direita não bolsonarista. Mostram ainda que o eleitor desses candidatos, na comparação com os de Flávio e Lula, não é tão convicto e que quase metade pode trocar de voto. Mas, para Flávio levar essa maré de eleitores, que somam 15% das intenções de voto, e resolver a eleição no primeiro turno, um cenário pouco provável teria de ocorrer: Lula não ser beneficiado por esse movimento de voto útil. Como a rejeição de Flávio também é alta, parte dos votos que venham a deixar os demais candidatos pode beneficiar Lula, ainda que em escala menor.

A aposta na abstenção também é complexa. Eleições mais apertadas podem mobilizar mais o eleitor e diminuir a abstenção. Uma particularidade de 2026 também embaralha o cenário: há 30% menos candidatos que na comparação com 2022. Os candidatos a deputado, grandes mobilizadores de voto, estão em menor número. Isso pode ter impacto tanto para um lado quanto para o outro.

Outra dúvida é se há ainda espaço para esses candidatos da terceira via desidratarem ainda mais diante de uma campanha eficiente de voto útil. Muitos têm voto ideológico, como os votos de protesto. Embora o cenário de término da eleição no primeiro turno não seja hoje impossível, não parece ser agora o mais provável.

[Fonte Original]

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