Aos 17 anos, Rute Conceição Silva Rodrigues recebeu aprovações de quatro universidades internacionais, incluindo Harvard, nos Estados Unidos.
A adolescente mora no bairro Pirambu, em Fortaleza, e estuda na rede pública estadual.
Filha de uma mulher que trabalha como camareira e diarista e não teve oportunidade de aprender a ler e escrever, ela encontrou no apoio da família um incentivo para seguir estudando.
Além de Harvard, Rute foi aceita na Universidade Estadual da Pensilvânia, na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e na New York University Abu Dhabi.
A jovem pretende cursar Psicologia, mas ainda precisa avaliar as condições financeiras e acadêmicas antes de escolher onde estudará.
O incentivo veio de casa
A mãe de Rute sempre defendeu a educação dos filhos, mesmo sem ter conseguido frequentar a escola até aprender a ler.
Para a adolescente, esse apoio teve peso importante nos anos de preparação.
A conquista não é vista apenas como um resultado individual, mas também como reconhecimento do esforço familiar.
Rute cursa o ensino médio na Escola Estadual César Cals.
Também estudou inglês durante dois anos no Centro Cearense de Idiomas, oportunidade que ajudou na preparação para provas, entrevistas e textos exigidos nos processos seletivos estrangeiros.
Uma preparação de longo prazo
A estudante se candidatou a 20 instituições e escreveu dezenas de redações, adaptadas às exigências de cada universidade.
Ela também realizou o SAT, exame utilizado em processos de admissão nos Estados Unidos.
Parte dos custos foi paga com economias pessoais, inclusive recursos que havia guardado do programa Pé-de-Meia.
Além das atividades escolares, participou de uma pesquisa sobre discursos de criadores de conteúdo ligados à educação.
O trabalho foi apresentado em feiras científicas e ajudou a desenvolver habilidades de investigação e comunicação.
A experiência também mostrou aos avaliadores seu interesse por questões sociais.
A aprovação é o começo de outra etapa
Receber uma carta de aceitação não significa necessariamente ter condições de viajar ou permanecer no exterior.
Bolsas, moradia, documentação e custos precisam entrar na decisão.
Por isso, Rute ainda avalia alternativas antes de definir o futuro acadêmico.
A história chama atenção pela idade e pelo número de universidades, mas também pelas oportunidades que ela conseguiu aproveitar na escola pública.
A dedicação da estudante se somou ao incentivo de uma mãe que, apesar das dificuldades educacionais, nunca deixou de valorizar os estudos.
A aprovação em universidades estrangeiras costuma envolver etapas diferentes das exigidas no vestibular brasileiro.
Além de notas, as instituições podem analisar textos pessoais, atividades extracurriculares, referências e provas específicas.
Para candidatos de famílias de baixa renda, bolsas e políticas de apoio financeiro fazem diferença na possibilidade de matrícula.
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