‘Bolsonarismo não está derrotado, está disseminado. Basta ver os patrões demitindo funcionários que votaram no Lula’, diz filósofo Renato Lessa – BBC News Brasil

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Legenda da foto, Bolsonaristas durante manifestação contra o resultado da eleição de 2022, em Brasília (DF). Para Renato Lessa, da PUC-Rio, homo bolsonarus é um protótipo de comportamento que almeja liberdade irrestrita

    • Author, Vinícius de S. Mendes
    • Reporting from, Da BBC News Brasil em São Paulo (SP)
  • Published

  • Tempo de leitura: 16 min

A ida de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial, para a Flórida, nos Estados Unidos, terá efeitos significativos na vida política do Brasil — sobretudo para o campo da direita que, na análise do filósofo político Renato Lessa, professor do Departamento de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), tem agora uma chance de voltar à superfície.

É que, à medida em que o bolsonarismo ficará politicamente desorganizado, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso, e seus filhos mais velhos, Flávio e Eduardo, no exterior, diz Lessa, a direita democrática — que estava “colonizada” — poderá reequilibrar o jogo de forças com a esquerda, tal como aconteceu depois da Constituição de 1988 até os anos 2010.

“Sempre que se fala em autocrítica, é para se referir à esquerda, mas a direita também precisa fazer uma autocrítica. Talvez esse seja o momento. Seria importante se a política brasileira voltasse ao eixo”, diz ele à BBC News Brasil.

Mas isso não quer dizer que o bolsonarismo, como fenômeno social, ficará mais fraco. Na verdade, observa ele, é só indo além dos dados quantitativos que se pode compreender a magnitude dele em sua essência.

Lessa defende que o que se expressa como força eleitoral (Flávio teve 59,8 milhões de votos no segundo turno) existe, fora dos intervalos entre eleições, como um padrão de comportamento cada vez mais comum espalhado pelo “terreno da brutalidade brasileira”.

[Fonte Original]

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