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quinta-feira, abril 23, 2026

2026 não será fácil, será ano de reestruturação, diz presidente do BB

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Este ano deve ser de reestruturação e retomada de crescimento no Banco do Brasil (BB), disse a presidente da instituição financeira, Tarciana Medeiros. A expectativa é de um primeiro trimestre com resultados ainda “apertados”, mas mostrando melhoria ao longo do ano.

“Falando de forma muito transparente, eu acho que vocês perceberam durante todas as falas [do evento], que 2026 para nós será um ano de reestruturação, de retomada de crescimento. Não vai ser um ano fácil”, afirmou, durante o evento para investidores BB Day.

Ele lembrou o que o vice-presidente de agro do BB, Gilson Bittencourt, disse mais cedo, que a pontualização da carteira de agro neste ano deve ficar em 95% — ou seja, que 95% das operações de crédito devem ser pagas em dia. “Essa informação é muito importante, porque mostra justamente esse trabalho de requalificação da nossa carteira de crédito do agro.”

“Mostra, na prática, como que esse processo que nós iniciamos em 2025, de adoção de uma nova matriz de resiliência, da adoção de novas medidas em relação ao processo de cobrança e de recuperação de crédito, como isso vai se refletir na nossa carteira em 2026”, destacou Medeiros.

A presidente do BB defendeu que o banco seguirá com foco em agronegócio, devido à importância que o setor tem para a economia brasileira. “Algumas coisas não vão mudar, outras sim”, afirmou.

Entre as mudanças, ela destacou que o foco não será em crescer a carteira, mas melhorar a qualidade da carteira, e é isso que mostra a projeção (“guidance”) do banco para este ano. A projeção do BB é ampliar a carteira de crédito entre 0,5% e 4,5% em 2026. Na PF, a expansão deve ser de 6% a 10%, em PJ deve ficar entre queda de 3% e alta de 1%; e no agro, entre baixa de 2% e crescimento de 2%.

“A gente está crescendo com a prudência necessária, sem deixar de fazer crédito, mas entendendo que agregar mitigadores de risco nessa carteira, mitigadores mais modernos, adequados a cada linha de crédito é necessário”, disse a executiva. “Esse trabalho está sendo feito, mas vai demandar um tempo para a gente poder ver resultado.”

Ao fim do evento para investidores, questionada se a recuperação em “W” citada anteriormente se tratava da qualidade dos ativos ou resultados, a presidente do BB informou que se trata dos resultados. Isso significa que são esperados “altos e baixos”, segundo ela. Já sobre a qualidade dos ativos, a recuperação esperada é em “U”.

“O Gilson [Bittencourt, vice-presidente de agro do BB] trouxe muito bem. Este ano é de El Niño. Vai haver lugares onde a produtividade vai ser muito maior do que estava previsto, e onde a produtividade vai ser menor. Por si só, a inconstância e a incerteza em relação a como essa produtividade acontece no país, traz para nós um gráfico em ‘W’”, afirmou Medeiros a jornalistas. Como o agro é um terço da carteira do BB, o que acontece nesse segmento acaba afetando o resultado do banco como um todo.

Questionada se o efeito da guerra no Irã poderia mudar esse ritmo de recuperação, a presidente do BB não respondeu.

Já quando perguntada sobre se os resultados do primeiro trimestre podem vir abaixo do esperado e se há risco de o BB não cumprir o guidance deste ano, como alguns analistas começam a apontar, ela disse que isso é pura especulação. “A gente está em abril, nem divulgamos o resultado do primeiro trimestre ainda. Depois disso, lá em maio, aí a gente tem condição de falar algo mais. Mas neste momento a nossa previsão é de cumprimento do guidance que a gente declarou ao mercado.”

No evento, o BB também citou que em junho vence outra parcela do cronograma de pagamento do instrumento híbrido de capital e dívida (IHCD). A previsão original era pagar R$ 1 bilhão, mas o banco pediu para jogar boa parte para o fim do período, em 2029, pagando apenas R$ 100 milhões este ano. “Esse processo de adiamento do IHCD é algo que nós pensamos, está dentro da nossa estratégia de composição de capital e é um processo diligente. Se outras instituições [bancos públicos] foram beneficiadas, nós buscamos o benefício no mesmo perfil, mas é bem residual dentro da nossa estratégia”, disse Medeiros. Segundo o BB, apesar do pedido feito, ainda não houve uma resposta do Tesouro se será permitido fazer esse adiamento ou não.

Em meio a um cenário bastante desafiador e cobranças dos analistas, a administração do Banco do Brasil reforçou em diversos momentos durante o encontro com investidores que o foco não está no curto prazo, mas na sustentabilidade da geração de resultados de longo prazo.

“O que importa de fato não é o resultado a cada trimestre, mas se o banco hoje está mais preparado para o futuro do que há três anos. E está, sim”, disse Medeiros. Ela usou como exemplo a presença física, que é algo caro de manter, mas que ajuda o BB a ganhar a principalidade do cliente, o que gera receitas por décadas. “No momento em que o sistema financeiro saiu de muitos municípios, nós ficamos, onde o Brasil de verdade existe”, comentou.

Ele explicou que cada agência física mantida pelo BB foi uma escolha, pensada, e que isso faz parte da estratégica de longo prazo. “A IA sozinha não gera resultado, não gere uma instituição financeira. Não há como tentar ser diferente. O mundo é digital e seremos profundamente digitais, mas permaneceremos humanos”.

O BB investiu cerca de R$ 20 bilhões em tecnologia nos últimos três anos, o que representa metade do investimento em tecnologia da última década, informou Medeiros.

Segundo ela, essa é uma decisão estratégica, pensando no futuro do banco. Parte deste investimento está em inteligência artificial (IA). “A gente podia, numa visão de curto prazo, não investir, apenas transformar em resultado. Mas não é para isso que trabalhamos todos os dias. A gente não pensa nesse banco desse trimestre, a gente pensa nesse banco para os próximos 217 anos”, defendeu a executiva.

Medeiros também avaliou que o sistema financeiro está passando por um “processo de transformação profundo” envolvendo a era da IA. “O nosso investimento em tecnologia acho que traduz isso. O Banco do Brasil é pioneiro em investimento de inteligência analítica e hoje de inteligência artificial”, disse.

A presidente do BB avaliou que produtos bancários hoje são commodities, e se destaca não quem entrega o produto, mas como entrega o produto. “A gente entende que confiança em pessoas é que será um verdadeiro diferencial do banco e nós estamos trabalhando com essas premissas. Quando a gente trata de inteligência artificial, de tecnologia, não adianta você ter dados e não saber o que fazer com eles.”

[Fonte Original]

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