O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou suas projeções de inflação tanto para este ano quanto para o horizonte relevante, que agora passou a ser o quarto trimestre de 2027. Para este ano, o Copom elevou a estimativa para o IPCA de 3,9% para 4,6%, acima, portanto, do teto da meta. Nesses números, a projeção para a inflação de preços livres passou de 3,7% para 4,5%, enquanto a de preços administrados aumentou de 4,3% para 4,8%.
Já em relação ao horizonte relevante, o Copom elevou a projeção para o IPCA de 3,3% para 3,5%. A estimativa para a inflação de preços livres ficou em 3,5%, enquanto a de preços administrados foi de 3,6%.
O comitê informou que a guerra no Oriente Médio afeta direta e indiretamente a inflação no Brasil, além de aumentar as incertezas em torno das projeções de inflação.
“O Copom considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”, diz o documento, que explica a decisão de baixar os juros de 14,75% ao ano para 14,5% ao ano.
“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”, segue o comitê. “Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados.”
O comunicado disse que o Copom julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, “na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”.