O dólar à vista encerrou estável na sessão desta quarta-feira, ainda que a percepção de risco, por conta das incertezas no Oriente Médio, tenha pressionado a maioria dos mercados mais líquidos de câmbio. A alta dos preços do petróleo pode ter dado suporte para que o real não desvalorizasse nesta sessão. A possível entrada de capital estrangeiro no país também pode ter ajudado a conter uma piora do câmbio doméstico.
Terminadas as negociações do mercado à vista, o dólar fechou negociado estável, cotado a R$ 4,9740, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9549 e batido na máxima de R$ 4,9896. Perto das 17h05, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de outras seis moedas fortes, apreciava 0,21%, aos 98,604 pontos.
O dólar casado (a diferença entre o dólar futuro e o dólar à vista) aumentou ao longo do dia, em momentos em que a moeda americana caiu contra o real, dando a indicação de fluxo de capital estrangeiro ao país. Enquanto pela manhã o dólar casado era negociado em 8,40 pontos, perto do fim do pregão estava em torno de 9,00, com o spread da taxa do casado em relação às Fed funds (taxas básicas de juros americanas) em torno de 1,2%.
No começo da sessão de hoje, o dólar rondava a estabilidade. O prolongamento do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã até poderia trazer alívio aos mercados, caso as hostilidades entre os países não tivessem continuado. Ambos seguiram travando uma disputa pelo controle do Estreito de Ormuz após o fracasso das negociações para uma nova rodada de paz. Com isso, o preço do contrato mais líquido do petróleo Brent avançou mais e passou a ser negociado acima de US$ 100 o barril.
Estrategistas do banco espanhol BBVA apontam, em nota, que o real tende a prosperar ao longo do conflito, impulsionado por termos de troca mais favoráveis nas exportações de petróleo e alimentos, e por um carry reforçado devido às menores expectativas de afrouxamento da política monetária. “Assim, as pressões podem permanecer limitadas, a menos que observemos uma correção de risco global mais acentuada.”
Relatório do Morgan Stanley aponta que a produção e exportação de petróleo continuam sendo um importante fator estrutural positivo para o câmbio, com forte crescimento da produção. “Esperamos que continuem gerando fluxos constantes em dólares”, dizem as estrategistas Ioana Zamfir e Sofia Palacios. “Por outro lado, a agricultura apresenta um quadro mais misto, e os fluxos comerciais deste ano podem não superar significativamente as médias históricas. Em outras palavras, a exposição a commodities ajudou a moeda (junto com um carry muito atrativo), mas o principal motor segue sendo os fluxos de capital, cada vez mais ligados à narrativa eleitoral.”
Ainda segundo as estrategistas, a recente força do real tem sido impulsionada por entradas recordes de capital estrangeiro e pelo alto diferencial de juros (“carry”), com commodities funcionando como um fator secundário positivo. “Vemos o câmbio em R$ 4,75 a R$ 4,80 como plausível, mas uma valorização maior (até aproximadamente R$ 4,50) exigiria uma mudança clara nas pesquisas eleitorais em direção à ortodoxia fiscal, algo que consideramos improvável antes do fim de julho, quando o noticiário eleitoral tende a ganhar força.”
No caso da venda e compra de dólares, a Wagner Investimentos, ao fazer a recomendação para importador, diz que desde dezembro não tem indicado estender a compra de dólares, fazendo sugestões mais para curto prazo devido a tendência clara de baixa e o alto custo do carrego da moeda americana. “Nossa perspectiva continua de otimismo com o real”, diz a casa. Já no caso do exportador, a Wagner diz seguir aguardando nova oportunidade para recomendar venda.