Os contratos futuros do petróleo fecharam em firme alta nesta segunda-feira, após mais um impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Os negociadores iranianos ofereceram a reabertura do Estreito de Ormuz como uma concessão para acabar com a guerra, mas sua proposta de paz não menciona o programa nuclear, segundo a imprensa internacional. O presidente americano, Donald Trump, também voltou a adotar uma retórica mais agressiva sobre o conflito, enquanto o bloqueio naval segue em vigor.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em junho teve alta de 2,75%, cotado a US$ 108,23 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês subiu 2,09%, a US$ 96,37 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
No fim de semana, Trump cancelou os planos de enviar Steve Witkoff e Jared Kushner, que têm estado no centro das negociações, para uma nova rodada de conversas no Paquistão, enquanto o tráfego de navios Estreito de Ormuz segue praticamente paralisado, comprometendo a exportação e a produção de energia nos países da região. O presidente americano disse a repórteres que o Irã “ofereceu muito, mas não o suficiente”.
Segundo a imprensa internacional, que cita fontes próximas ao assunto, o Irã teria apresentado a reabertura do Estreito de Ormuz como uma possível concessão para o fim definitivo da guerra, mas sua proposta de paz não menciona o programa nuclear, que foi um dos motivos apontados pelos Estados Unidos para justificar a guerra. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não participará de “negociações impostas sob ameaças ou bloqueio”, contribuindo para reforçar ainda mais a percepção de que uma resolução para a guerra não é algo iminente.
O Citi adiou seu cenário-base de reabertura do Estreito de Ormuz para o fim de maio, ante fim de abril, e reforçou sua visão altista para os preços do Brent nos próximos três meses, com preço-alvo de US$ 120. “Recomendamos exposição a petróleo no curto prazo, tanto como uma aposta direcional quanto como proteção”, afirma Max Layton, diretor da equipe de commodities. Ele avalia que a ausência de preços extremos até agora, apesar do choque de oferta, se deve principalmente ao forte acúmulo de estoques antes do conflito, às liberações de barris da Agência Internacional de Energia (AIE) e à expectativa de resolução relativamente rápida do conflito.