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“Vamos ser cada vez mais duros porque, se o Estado não agir, a gente não controla as chamadas plataformas digitais, que, de rede social, não tem nada. Pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo, muita jogatina e muito pouco social”, afirmou Lula, ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anfitrião do evento.
“Precisamos regular tudo o que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país e não permita intromissão de fora, sobretudo em um ano eleitoral”, afirmou.
“Não é possível tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no planeta.”
Na sexta-feira, Lula citou o pleito brasileiro, marcado para outubro, mas agora ampliou o debate e disse que este não é um problema específico do Brasil.
“Controlar as plataformas digitais e pôr regras democráticas é uma questão mundial. No Brasil, estamos tentando fazer nossa parte, porque a verdade nua e crua é que a mentira ganhou da verdade. Para mentir, você não tem que explicar, para se justificar você tem, e muitas vezes não consegue. Esse é um desafio para nós, chefes de Estado.”
Lula chama China, EUA, França, Inglaterra e Rússia de ‘senhores da guerra’
“Hoje, a ONU não representa aquilo para a qual ela foi criada. Os membros permanentes do Conselho de Segurança, que era para garantir a paz do mundo, viraram os senhores da guerra.”
“Eles tomam decisões sem consultar a ONU. Para quem [George W.] Bush pediu para invadir o Iraque? Para ninguém. Para quem a França e a Inglaterra pediram para invadir a Líbia? Ninguém. Que mal [Muamar] Khadafi causava ao mundo? Nenhum. Para quem a Rússia pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. São decisões unilaterais que não respeitam o fórum do qual essas pessoas participam”, disse Lula.
O presidente brasileiro também criticou o funcionamento do Conselho de Segurança, com a possibilidade de representação por embaixadores — e não pelos próprios líderes —, além do poder de veto dos membros permanentes sobre decisões aprovadas.
“Há quantos anos estamos tentando mudar a representação? Cadê a representação africana? Cadê a participação do México, do Brasil, da Argentina, da Colômbia? Cadê a participação da Índia? Tantos países importantes, como o Japão, poderiam participar. E por que não participam?”, questionou.
Lula citou por fim a situação de Cuba, que, sob pressão após a prisão de Nicolás Maduro por Trump e sem apoio da Venezuela, enfrenta uma crise sem precedentes.
“Eu estou preocupado com Cuba, mas o problema é dos cubanos, não é um problema do Lula. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles.”

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A declaração sobre Cuba segue o mesmo tom da que o presidente fez sobre a Venezuela em entrevista coletiva na sexta-feira. “Tenho muitas preocupações no Brasil para me preocupar com a Venezuela. O que eu quero é que a Venezuela fique bem e seja feliz, sem tutela de ninguém.”
Lula não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas depois que Maduro se recusou a enviar às autoridades brasileiras documentos que comprovassem a autenticidade do pleito. Mas o petista afirmou que a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, ocupa o cargo de forma legítima.
“A Venezuela é um destino dos venezuelanos. A presidente Delcy está no poder, legitimamente, porque, na medida em que o presidente caiu, ela era vice e assumiu. Se ela quer ou não convocar eleições, é problema dela, do povo dela, da Venezuela.”
No domingo (19/4), o presidente segue para Hannover, na Alemanha, onde participa de uma feira de negócios e tecnologia, e na terça-feira (21/4) visita Lisboa, capital de Portugal, nesta que deve ser a última grande viagem internacional de seu terceiro mandato.
