À primeira vista, a volatilidade das criptomoedas assusta. Os preços aceleram, parecem não ter limite e, de repente, mudam de direção. Para quem está começando, isso pode soar aleatório, mas não é. Esses movimentos seguem uma dinâmica própria do mercado e também refletem mudanças mais amplas da economia global, como liquidez, juros e apetite a risco. Quando esse fluxo começa a fazer sentido, o investidor passa a entender melhor o cenário e a reagir com mais estratégia.
Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin, costuma explicar esse movimento com uma analogia simples: as estações do ano. “Assim como o clima, o mercado passa por fases. Há momentos mais aquecidos, de alta, e períodos de ajuste. E nenhum deles dura para sempre”, afirma.
No caso do Bitcoin, a criptomoeda mais conhecida do mundo, um dos fatores historicamente associados às suas oscilações é o halving. Previsto no próprio código do ativo, o evento ocorre em média a cada quatro anos e reduz pela metade a criação de novos vitcoins.
Nos primeiros ciclos, esse mecanismo teve maior impacto, já que a diminuição da emissão era mais relevante em relação ao volume total em circulação. Com o amadurecimento do mercado, essa redução passou a ter efeito menos expressivo na dinâmica do preço, embora a relação entre oferta e demanda siga sendo estrutural. “Hoje, com a maior adoção do Bitcoin, os efeitos desse processo foram mais diluídos”, comenta.
Outro fator importante é a liquidez global, ou seja, o volume de dinheiro disponível na economia. Quando há mais recursos em circulação, cresce a busca por ativos de risco, o que favorece o Bitcoin. Já em momentos de menor liquidez, o movimento se inverte e os preços passam a enfrentar mais pressão.
Como as estações explicam os ciclos do mercado cripto
A fase de euforia, muitas vezes comparada ao verão no mercado cripto, é quando tudo parece acelerar, os preços sobem rápido, novas máximas surgem e mais investidores entram no mercado, mas esse ritmo não se sustenta por muito tempo. Depois do pico vem o ajuste, o outono, marcado por quedas mais intensas, “é nesse momento que o entusiasmo começa a dar lugar à dúvida e ao medo”, explica.
Na sequência, chega o inverno cripto. O mercado desacelera, os preços se estabilizam e o interesse diminui. À primeira vista, tudo parece parado. Mas é justamente nesse cenário que muitos investidores aproveitam para comprar aos poucos, com preços mais baixos. “Atualmente, estamos passando justamente por esta fase, o lado positivo é que provavelmente já passamos do pior momento”, afirma Rony.
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Por fim, vem a primavera, período de recuperação em que o mercado volta a ganhar força gradualmente. Os preços começam a subir, a confiança retorna e o ciclo se reorganiza até, eventualmente, dar lugar a uma nova fase de euforia.
“Ao longo de 2021, o Bitcoin chegou a despencar quase 60%, seis meses depois, o ativo mais que dobrou seu valor. Por isso, é importante alimentar uma visão de longo prazo independentemente do momento de mercado”, comenta Rony.
Como investir em um mercado que não para de oscilar?
Entender que o mercado sobe e desce não é suficiente sem uma estratégia para lidar com essa oscilação. Diante disso, uma das recomendações mais comuns para iniciantes é investir um valor fixo em intervalos regulares e espaçados, evitando tentar acertar o melhor momento ou reagir por impulso às variações de preço.
Segundo Rony, a exposição a criptoativos também deve respeitar o perfil de risco do investidor, geralmente com uma parcela do portfólio entre 5%, para os mais conservadores, e 15%, no caso dos mais arrojados.
Na prática, a diferença aparece no comportamento. Imagine dois investidores com R$12 mil: um investe tudo de uma vez, enquanto o outro aplica aos poucos. Se o mercado cai, o primeiro vê o valor recuar sem margem de ação, enquanto o segundo aproveita os preços mais baixos ao longo do tempo, reduzindo o impacto da queda. Não por acaso, os maiores ganhos no mercado cripto vieram de quem manteve disciplina e continuou investindo mesmo nos momentos mais desafiadores.
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