Amistoso entre Brasil e Alemanha no Maracanã em 1965. Pelé disputa a bola com o zagueiro Klaus-Dieter Siellof, enquanto Ademir da Guia os observa (Arquivo Nacional/Fundo Correio Da Manhã)
Recentemente tomei conhecimento de um excelente livro intitulado O futebol nas ciências humanas no Brasil, publicado em 2020 pela Editora Unicamp, organizado por Sérgio Settani Giglio e Marcelo Weishaupt Proni. Nele, há artigos de pesquisadores das mais diversas áreas das ciências humanas: ciências sociais e políticas, história, antropologia, comunicação, geografia, entre outras – até literatura. Mas não encontrei, entre os títulos, nenhuma contribuição específica da filosofia.
Não que inexista interesse. Vilém Flusser, no livro Fenomenologia do brasileiro (escrito em 1971, mas só publicado no Brasil em 1998), provavelmente entusiasmado pelo futebol-arte da seleção de Pelé e Garrincha, fez algumas observações interessantes sobre a distinção exclusiva do português entre “jogar” e “brincar”: “brincar” significa tanto “jogar alegremente e sem regra” quanto “agir com facilidade”. De acordo com Flusser, os europeus só saberiam jogar de duas maneiras: para ganhar (arriscando muito) ou para não perder (arriscando pouco). Os brasileiros, por sua vez, desenvolveriam de forma espontânea uma terceira estratégia: jogar para mudar os modos como se joga; um tipo de atitude inusitada, presente tanto no Carnaval quanto no futebol.
Além de Flusser, conheci vários professores brasileiros de filosofia que até mencionaram o tema de forma dispersa em suas aulas ou escritos. Em 2004, por exemplo, na Folha de S.Paulo, Bento Prado Jr. descreveu um drible que costumava praticar na infância, típico do futebol de rua:
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