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sábado, junho 13, 2026

Afinal, o que os americanos pensam sobre a Copa do Mundo e o futebol?

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Durante a Copa de 2014, o astro do basquete Kareem Abdul-Jabbar publicou um artigo na revista Time elencando razões pelas quais o futebol, mesmo batendo recorde de audiência, nunca será tão popular nos Estados Unidos quanto os esportes que formam as quatro grandes ligas: basquete, beisebol, futebol americano e hóquei. Argumentava que o cidadão médio, familiarizado com a intensidade da NBA ou o duelo de titãs da NFL, jamais vai se acostumar com uma aparente falta de drama nos gramados — “um vai e vem interminável que se parece menos estratégia e mais sorte”, diz —, que não corresponde ao ethos americano, afeito a heroísmos e exaltação a habilidades individuais.

Podemos concordar ou não com Abdul-Jabbar, mas fato é que lá se vai meio século desde que Pelé e Beckenbauer desembarcaram na América para impulsionar o soccer, e um dos principais debates segue sendo se o povo americano vai ou não abraçar a Copa do Mundo. Certa apatia é corroborada por pesquisas e contrasta com as atenções voltadas à final da liga de basquete, que tem levado multidões à loucura nas ruas de Nova York. Se vencerem os San Antonio Spurs hoje à noite, no Texas, os Knicks conquistam um título da liga que não vem desde 1973.

O sucesso dos Knicks levou a uma corrida por ingressos (na casa dos milhares de dólares). As primeiras filas do Madison Square Garden se tornaram uma espécie de tapete vermelho, com Taylor Swift, Timothée Chalamet e Kylie Jenner esbarrando ombros com o diretor Spike Lee, o torcedor-símbolo dos nova-iorquinos.

Segundo pesquisa do Pew Research no início do mês, dois em cada três americanos (66%) diziam ser pouco provável que acompanhassem o Mundial e apenas 14% afirmaram o oposto, demonstrando bastante interesse. Há dois anos, o mesmo instituto foi às ruas para perguntar qual era “o esporte da América”, e apenas 3% apontaram o futebol, mesmo percentual do automobilismo. O futebol americano atingiu 53%, muito à frente do beisebol (27%) e do basquete (8%). Vale um adendo: 62% dos americanos diziam, em 2024, que não acompanhavam esportes profissionais ou universitários de perto e apenas 7% são classificados como “superfãs”.

Faltam ainda mais de um mês até a final da Copa, na mesma Nova York. É cedo, portanto, para decretar que os americanos darão de ombros para o Mundial. Em 1994, mesmo sob sol escaldante, o torneio registrou a maior média de público da História. De lá para cá, a liga profissional (MLS) se consolidou e atrai grandes estrelas, ampliando a competitividade e formação de americanos jovens (chave do sucesso em qualquer modalidade). Além disso, uma boa campanha da equipe de Maurício Pochettino, que está em grupo relativamente tranquilo, pode empolgar.

Por fim, a grande comunidade latina parece ser a chave do sucesso desta Copa do Mundo, que será toda jogada nos Estados Unidos a partir das quartas de final. Os imigrantes têm mais que o dobro de interesse em acompanhar o Mundial em comparação com os americanos (54% ante 23%, de acordo com a mesma pesquisa). O crescimento de audiência e interesse pode estar ligado ao sucesso esportivo de seleções como México, Colômbia, Brasil, Argentina ou Uruguai — muitos dos quais o governo Trump gostaria de ver do lado de lá do muro.

[Fonte Original]

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