Torcedores assistem à partida entre Brasil e Bélgica pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, no vale do Anhangabaú, em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)
A maioria das pessoas que se interessam por futebol considera que ele é uma experiência que dispensa maiores reflexões. Vivido por uns como profissão e pela maioria como entretenimento, é raro alguém pensar reflexivamente sobre o sistema futebolístico. Uma espécie de autossuficiência teórica faz parte dos amantes do futebol. Se o jogador tem seu saber no corpo, o torcedor é sempre um sabe-tudo que vira as costas para abordagens mais intelectuais – que sempre parecem abstratas em relação aos embates físicos e às disputas concretas em campo.
Certamente algum elitismo intelectual impediu que o campo das ciências humanas avançasse em relação aos esportes, em geral, e ao futebol, que nos interessa aqui, em particular. Isso tem raízes profundas na própria história da filosofia ocidental que fez leituras preconceituosas do corpo, mas também do que é “popular”, afastando o pensamento reflexivo e questionador do mundo da vida. Com a democratização das universidades, intelectuais ousados escreveram grandes obras – como é o caso de José Miguel Wisnik com seu Veneno remédio: O futebol e o Brasil (Companhia das Letras, 2008), para citar um título bem conhecido, mas também a obra As mulheres no universo do futebol brasileiro, organizada por Cláudia Samuel Kessler, Leda Maria da Costa e Mariane da Silva Pisani (Editora UFSM, 2020), para citar uma coletânea de excelentes artigos com a necessária perspectiva de gênero, que atualiza o tema do futebol como linguagem para além de essencialismos sexistas que o sequestraram histo
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