Seleção brasileira de futebol feminino disputa a semifinal dos Jogos Olímpicos de 2016 com a Suécia, no Maracanã (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Sempre que o futebol praticado por mulheres aparece no debate público brasileiro, ele é apresentado como algo novo, recente ou emergente. A cada grande competição nacional ou internacional, a cada medalha, a cada transmissão em horário nobre, reaparece a sensação de que estamos diante de um fenômeno inédito, uma nova moda. Como se, de repente, as mulheres tivessem decidido ocupar um território que até então lhes era estranho.
Essa sensação de novidade, contudo, não descreve com precisão a história do futebol brasileiro, mas, sim, o longo processo de silenciamento que a cercou. A exclusão das mulheres do futebol no Brasil não foi apenas simbólica, mas formalizada como política de Estado através do Decreto-Lei 3.199, de 1941. Durante décadas do século 20, normas oficiais proibiram que mulheres praticassem modalidades consideradas “incompatíveis” com sua natureza, entre elas o futebol. Não se tratava de desinteresse ou falta de talento, mas de uma interdição legal que perdurou até 1979.
O efeito mais duradouro dessa proibição talvez não tenha sido a interrupção do jogo, mas a produção de silêncio, apagamento e ausência de memória. Quando uma prática é empurrada para a clandestinidade, ela deixa de ser registrada, celebrada, arquivada. Dessa forma, gerações de jogadoras ficaram fora das estatísticas, das narrativas oficiais e das fotografias que constroem a história do futebol brasileiro.
Ainda assim, o futebol praticado por mulheres nunca deixou de existir, mesmo quando foi empurrado para fora da vi
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