A produção de cerveja sem glúten no Brasil saltou 417% no ano passado contra 2024, para 367,9 milhões de litros. O resultado é contraponto importante para a indústria após um ano de 2025 bastante apertado, quando a produção total caiu 8,85%. É justamente nos segmentos premium e na inovação que o setor tem se apoiado para continuar à mesa com o consumidor. Os números fazem parte do Anuário da Cerveja 2026, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e divulgado nesta terça-feira (19), em Brasília.
Apesar de um otimismo com 2026 ante o melhor clima e a Copa do Mundo, o segmento mantém um alerta com a reforma tributária, disse Márcio Maciel, presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa empresas como Ambev e Heineken.
A produção de cervejas sem glúten, versões com baixa caloria, menos álcool e até sem teor alcoólico tem sido destaque das empresas do setor. Nesta semana, a Heineken divulgou uma nova versão da sua marca principal, a Heineken Ultimate, que tem 3,5% de álcool, zero glúten e 30% menos calorias.
O passo também foi dado pela Ambev, que lançou novas versões de marcas como a Skol e Stella Artois de olho nos consumidores em busca de escolhas moderadas.
Considerando as cervejas puro malte, o crescimento na produção foi de 21% em 2025, para 4,58 milhões de hectolitros. A categoria representou 29% da produção do país, contra 24% no ano anterior.
Na contramão, a produção total de cerveja no Brasil apresentou queda de 8,85%, para 15,688 milhões de hectolitros. O resultado reflete sobretudo o enfraquecimento de marcas mais populares, que sofrem diante do bolso apertado do brasileiro.
Ainda conforme o levantamento, o setor cervejeiro registrou em 2025 o maior número de cervejarias da sua série histórica, com 1.954 unidades (alta de 0,3% no ano) distribuídas em 794 municípios brasileiros (alta de 0,5%). Atualmente, mais de 2,5 milhões de empregos são gerados pelo segmento, que responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Ao Valor, Maciel destacou que 2025 teria sido o ano mais difícil do setor de cerveja nos últimos 15 anos. “Mesmo assim, a indústria conseguiu aumentar o número de cervejarias e marcas. E a parte premium está crescendo”, disse.
As empresas do setor apostam no Brasil e isso colaborou para o segmento investir nos últimos três anos cerca de R$ 15 bilhões em novas fábricas e na ampliação de capacidade.
Mas um tema tem deixado o segmento em alerta: o imposto seletivo. Chamado de “imposto do pecado”, ele já deve começar a entrar em vigor no ano que vem. A indústria, entretanto, ainda não sabe quanto deve pagar.
“Somos um dos poucos setores da economia que ainda não tem previsibilidade de quanto vai pagar no ano que vem”, disse. Uma das brigas da indústria, acrescentou, é a manutenção da carga tributária atual.
O repórter viajou a convite do Sindicerv