Os contratos futuros de ouro encerraram em queda nesta terça-feira (19) e chegaram a operar abaixo do patamar de US$ 4,5 mil brevemente. O avanço dos rendimentos dos Treasuries ao longo de toda a curva a termo e as crescentes apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adotará uma postura mais conservadora (“hawkish”) pressionaram o desempenho do ativo, que não conseguiu capitalizar no alívio dos preços do petróleo.
Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para junho encerraram em queda de 1,03%, cotado a US$ 4.511,2 por onça-troy.
A falta de perspectiva para o fim da guerra no Irã e os elevados preços do petróleo levam os investidores a discutir a possibilidade de uma alta nos juros. Os dados da ferramenta “FedWatch” do CME Group mostram que 50,5% das apostas indicam uma alta dos juros pelo Fed já em dezembro deste ano e 49,5% para uma manutenção.
“O cenário atual destaca uma distinção cada vez mais importante entre o que os traders estão priorizando no curto prazo e o que os investidores continuam monitorando no longo”, disse Ole Hansen, do Saxo Bank. “Embora a tese estrutural de investimento em ouro permaneça em grande parte intacta, os desenvolvimentos macroeconômicos de curto prazo criaram um contexto mais desafiador para os preços”, acrescentou.
O estrategista de commodities acrescenta que outro fator que pode estar pressionando os preços é a venda forçada ou tática de ouro por parte de alguns bancos centrais, visto que países importadores de petróleo estão enfrentando preços elevados e pressão no câmbio. “Alguns detentores podem estar vendendo ouro para proteger as moedas ou para ajudar a financiar compras de energia.”